A dama vai ao mestre

Omara Portuondo grava Nat King Cole em disco sublime

JULIO MARIA, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2013 | 11h01

A maior voz de Cuba, Omara Portuondo, já finalizou um projeto em que vai cantar apenas músicas imortalizadas na voz do cantor norte-americano Nat King Cole. As canções, ainda preservadas em sigilo pelos empresários da cantora, foram mostradas em primeira mão ao Estado pelo arranjador, músico e produtor Swami Jr. O álbum e os shows de lançamento devem ocorrer em 2014, mas ainda não têm datas definidas.

"Nat King Cole já começava a ficar grande quando eu cantava com meu grupo de feeling, em Havana", lembra Omara, desde Barcelona, de onde falou com a reportagem, por telefone. No disco, ela canta músicas como Quizás, Quizás, Quizás; Maria Helena; Adiós Mariquita Linda; e Tu, Mi Delírio, extraídas dos três álbuns dos anos 50 que Nat gravou com obras em espanhol. Natalie Cole, a filha de Nat, divide vozes em El Bodeguero. "A ideia foi explorar canções menos óbvias do repertório", diz Swami, explicando a ausência de faixas como Aquellos Ojos Verdes, Cachito e Ay! Cosita Linda.

Buena Vista. O álbum foi inteiramente gravado no estúdio Abdala, do cantor cubano Silvio Rodrigues. Swami conta que Omara não repetiu nenhuma gravação e que o disco precisou de apenas seis dias para estar concluído. A cantora está na Europa para cantar com o santiaguero Eliades Ochoa e outros remanescentes do projeto Buena Vista Social Club (que fez a música cubana voltar a ser sensação mundial a partir de 2001, com o lançamento de um filme e um álbum produzido por Ry Cooder).

Uma vinda de Omara ao Brasil para lançamento do disco deve ser negociada também para o ano que vem. Até lá, ela segue na estrada com o projeto do Buena Vista. Omara vive em Cuba, em um apartamento bem localizado, em frente ao Malecón, mas nas condições de infraestrutura precárias que tomam toda a Ilha. "Não quero mudar de lá porque amo o meu país e é lá que quero viver."

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