A cultura de Nova York nas ondas da Eldorado

Pedro Andrade estreia amanhã Conexão América, às 20h

EMANUEL BOMFIM, O Estado de S.Paulo

29 de fevereiro de 2012 | 03h10

Chega até ser senso comum quando se diz que brasileiro se vale por sua ginga, por uma capacidade nata de improvisar. É o estereótipo do Zé Carioca que vira discurso, amplificado por baluartes de nossa cultura popular, como o samba e o futebol. Pedro Andrade não faz esse tipo. Aliás, antes de ganhar projeção com o público brasileiro, por conta do Manhattan Connection, o alinhado apresentador já era protagonista de horário nobre na NBC, um dos principais canais de televisão nos Estados Unidos. E não chegou lá por acaso, tampouco pela brasilidade.

Acostumado a lidar com câmeras e holofotes diariamente, o guia mais famoso de Nova York agora assume um novo desafio: "falar na latinha". Amanhã, às 20 horas, o jornalista e ex-modelo estreia o programa semanal Conexão América na Rádio Eldorado Brasil 3000 (FM - 107,3). Mais do que indicar points descolados da Big Apple, ele vai antecipar ao público paulistano as novas tendências da música, sempre em ebulição na metrópole norte-americana.

"A partir do momento que alguma coisa faz sucesso aqui, logo depois repercute no mundo inteiro", afirma o brasileiro, morador de Nova York há 11 anos. Quando chegou, era quase um anônimo. Tinha a experiência de modelo acumulada, mas como qualquer imigrante desempenhou atividades "menores", como guardador de volumes, carregador de gelo, bartender, para depois encaminhar o sonho de ser jornalista televisivo.

Disciplinado e ambicioso, conquistou seu espaço aos poucos: começou em site, foi para TV regional, nacional, em rede, até virar âncora de fato. É o titular do antenado 1ST Look, guia sobre artes, noite, gastronomia e música de Nova York.

O convite para integrar o time do Manhattan Connection, na Globo News, veio em grande parte por essa espécie de onipresença na telinha. "O Lucas Mendes estava chegando de Los Angeles e me viu no avião, depois pegou um táxi para casa e me viu na TV do táxi; chegou em casa e eu estava passando na televisão... Aí falou: 'Quem é esse Pedro Andrade? Esse nome é muito brasileiro, ele deve ser brasileiro!' Fui entrevistado no programa e a resposta do público foi incrível. Logo que saí do estúdio, recebi a ligação me convidando para trabalhar lá", conta.

Quem assiste às suas reportagens, já deve ter se acostumado com as trilhas moderninhas que embalam cada uma de suas dicas culturais. Um repertório que, segundo ele, não tem cartilha pronta. Nova York é mutante e sempre tem algum canto para ouvir e descobrir boa música. "Antigamente, você tinha os artistas no SoHo, aí eles foram para Tribeca, depois para Chelsea, e hoje em dia o principal celeiro é, sem dúvida, Williamsbourg, no Brooklyn. É onde estão os chamados novos artistas, tanto no setor de música como de arte. O sucesso está brotando por lá", define o apresentador.

Depois do indie rock do Strokes, que dominou público e atenções no início da década passada, Pedro afirma que a cidade não vive o monopólio de um estilo musical ou banda atualmente, mas respira a onda do retro-soul, escancarada pela explosiva Amy Winehouse. "Você tem um artista incrível como este Mayer Hawthorne, que já é tocado na programação da Eldorado, com essa sonoridade muito antiga, além da própria Adele", relata. De gosto versátil, Pedro não esconde sua veia indie. "Estou apaixonado pelo último álbum do Angus and Julie Stone."

Identificar sua atração na Eldorado como Conexão América é, para ele, a possibilidade de compartilhar vocações comuns entre Nova York e São Paulo. "Acho que os interesses são parecidos nas duas cidades. Esse lance de as pessoas gostarem de comer fora, da noite ser única, de a moda ter um papel importante, de as pessoas curtirem estilo. Isso é muito similar, mas cada uma delas é encantadora por si só."

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