PIxabay
PIxabay

A crise da meia-idade, quem diria, foi uma conquista feminina

Nos anos 1960 e 1970, isso era coisa de homem; mulher só tinha menopausa

Luciana Garbin, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2021 | 03h00

Desde que os algoritmos descobriram que passei dos 40, vira e mexe recebo sugestões relacionadas à meia-idade. De séries como À Beira do Caos, da Netflix, a curso no YouTube para “virar a chave da nova realidade”. 

Sim, porque meia-idade quase sempre é associada a crise. Sabe aquela história de chegar aos 40 ou 50 anos e se dar conta de que na melhor das hipóteses você está na metade da vida e precisa urgentemente redefinir hábitos e prioridades? 

No caso das mulheres, porém, a forma de encarar a fase sofreu uma transformação. Associada à entrada em massa no mercado de trabalho e ao aumento de poder econômico e de decisão sobre o próprio destino. 

Responsável por 28 anos pela coluna Work & Family no jornal The Wall Street Journal, Sue Shellenbarger se impressionou com a repercussão de um texto sobre meia-idade e resolveu investigá-la. O trabalho resultou em A Crise da Meia-idade Feminina e Como Ela Está Transformando as Mulheres de Hoje (Editora Verus). 

No livro, Sue conta que nos anos 1960 e 1970 o assunto não era encarado como problema de mulher. Levados pelo medo da morte, quarentões ou cinquentões, sim, podiam passar por comportamento regressivo, com carros esportivos e amantes mais jovens. Mas os problemas delas eram resumidos num só: a menopausa. 

Esse cenário, segundo a autora, foi implodido por novos papéis que uma enorme geração de mulheres assumiu no fim do século 20. “Pela primeira vez, elas não apenas enfrentam estresses que costumam causar essas crises, como têm meios financeiros, habilidades e confiança para extravasar frustrações e resolvê-las”, relatou. “De certo modo, mulheres estão tendo crises de meia-idade agora porque podem.” 

Problemas conjugais, divórcio e traições lideram a lista de desencadeadores. Em seguida vem a morte de um ou mais entes queridos. Estresse e desencanto profissional também são citados, bem como saída de filhos de casa e males de saúde. 

Maior status e nível educacional tendem a aumentar expectativas por maior qualidade de vida. Mas a turbulência varia de mulher para mulher. Uma grande diferença em relação ao passado, porém, é a crença hoje de que há ainda muito em jogo quando se entra nessa fase. Não só em expectativa de vida, mas em beleza, sexualidade e liderança. Também há cada vez mais iniciativas de saúde, carreira, educação e lazer para esse público. A questão, portanto, deixa de ser “O que fiz com a minha vida até aqui?” para se transformar em como limpar emoções, organizar a mente e refazer objetivos para um novo caminho.  

EDITORA NO ‘ESTADÃO’, PROFESSORA NA FAAP E MÃE DE GÊMEOS 

Tudo o que sabemos sobre:
mulher

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.