Massimo Vitali / Divulgação
Massimo Vitali / Divulgação

A crescente valorização da imagem

A SP-Arte inaugura amanhã sua 4ª edição com a participação de 18 galerias, entre elas a 1500 de Nova York

Simonetta Persichetti ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2010 | 00h00

São mais de 500 fotos, 170 artistas e 18 galerias. Este é o panorama que poderá ser visto a partir de amanhã e até o dia 12 na SP-Arte/Foto, no Shopping Iguatemi (Av. Brig. Faria Lima, 2.232, 9.º andar). É a quarta edição da feira que traz uma amostra da produção contemporânea brasileira e internacional: "O mercado de arte para a fotografia está cada vez mais aquecido, mais maduro, com mais pessoas interessadas em conhecer esta forma de expressão", conta Fernanda Feitosa, diretora do evento.

Nas galerias é possível encontrar obras que traduzem as preocupações da representação imagética da contemporaneidade, misturadas ainda sobre o binômio realidade/ficção. É o caso do fotógrafo italiano Massimo Vitali, que começou no fotojornalismo, mas há mais de uma década se voltou para outro tipo de registro fotográfico, ao usar câmeras de grande formato e produzindo imagens que lembram anúncios publicitários e abusando da possibilidade de saturar a cor.

Em oposição, temos as fotos de Bob Wolfenson, conhecido por seus editoriais de moda e publicidade, que apresenta imagens de seu mais recente ensaio, Apreensões, retrato de objetos contrabandeados apreendidos pela Polícia Federal. Também é possível encontrar os clássicos da fotografia, como as fotos de Thomaz Farkas e Maureen Bisilliat. Destaque ainda para fotos de Julio Bittencourt, Bruno Veiga, Luiz Braga e Alberto Morrel. A novidade é a galeria 1500 de Nova York, especializada em fotografia brasileira. Técnicas, vertentes, estéticas diferenciadas que nos colocam frente a uma ressignificação não só da foto, mas do próprio conceito do que é a imagem na contemporaneidade.

Tornou-se comum os críticos de arte refletirem sobre o tema. Como afirma Charlotte Cotton, crítica de arte inglesa e autora do livro A Fotografia como Arte Contemporânea, a questão está em que "os fotógrafos hoje consideram as galerias e os livros de arte o espaço natural para expor os seus trabalhos e a aspiração de muitos deles consiste em identificar a "arte" como território preferencial de suas imagens".

A SP-Arte/Foto não é apenas a reunião de galerias que apresentam fotografias, nem espaço voltado unicamente para colecionadores. Apesar de ser esta a sua função primeira: incentivar o mercado nacional. Para se ter ideia, na edição de 2009, mais de 7 mil pessoas estiveram no evento. Além disso, há a preocupação de desenvolver um processo reflexivo sobre este, não mais tão novo momento, da entrada da fotografia dentro de um mercado de arte internacional: "O mercado de arte em geral é recente em nosso País", explica Fernanda. "Ainda há muito a fazer. É preciso ter cada vez mais atividades culturais, visto que é a cultura que gera a riqueza de um povo."

Coerente com seu pensamento, Fernanda organizou este ano um curso sobre fotografia contemporânea, ministrado pela artista e professora Denise Gadelha, que pretende discutir a relação arte-fotografia e a construção do objeto fotográfico. Falar sobre a história da fotografia atual, suas vertentes, tendências. Mas mais importante que falar, sem dúvida, é mostrar!

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