A concertista obrigada a soltar a voz

A concertista obrigada a soltar a voz

No dia 18 de maio de 2003, um mês após sua morte, o Curtis Institute of Music, o mesmo que a rejeitou em 1951, resolveu conceder um prêmio póstumo "por sua contribuição à arte musical". E foi mesmo uma contribuição e tanto. No entanto, seu caminho poderia ter sido diferente se ela não tivesse, em 1954, trocado o nome para Nina (menina, em espanhol) Simone (em homenagem à atriz Simone Signoret), ao aceitar o contrato para cantar num bar de Atlantic City, o Midtown, onde tudo começou com duas gotas do ar condicionado caindo sobre a cabeça da pianista, obrigada a cantar para atrair fregueses. Logo ela, que sonhava com uma carreira de concertista.

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2010 | 00h00

Essa frustração era evidente. Falei com ela duas vezes como repórter. Na primeira, mal me olhou no rosto - e sua insistência para que fosse tratada por "doutora Simone" afastou qualquer possibilidade de perguntas íntimas. Na segunda, às 9 horas da manhã, já estava tão encharcada de champanhe Cristal que mal entendia as perguntas. De qualquer modo, não há como negar: foi uma personalidade e tanto. Não haverá outra Nina Simone. /

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