A comunicabilidade de Michelangelo Antonioni

"Eu fiquei famoso por ser o "cineasta da incomunicabilidade", mas não sou incomunicável. Se o fosse, não teria conseguido comunicar a própria incomunicabilidade como consegui."

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2010 | 00h00

Assim, com sua agudez tão característica, Michelangelo Antonioni rebate o velho cliché em respeito a sua figura em pleno programa de auditório da TV italiana. Além de a declaração ser surpreendente por si só, já que dificilmente a figura de Antonioni responderia a tachações à sua pessoa. Mais surpreendente ainda é vê-lo falar tão abertamente de si diante de uma plateia televisiva.

Assim era Michelangelo. Figura plena de sfumature (nuances), como define Carlo di Carlo, diretor de Antonio Su Antonio, documentário que revela essa e outras cenas raras da vida de um do mestre do cinema italiano.

Carlo, um dos maiores especialistas em Antonioni, de quem era também amigo inseparável, está em São Paulo e participou de bate-papo na Faap na quarta-feira, após exibição do longa e do curta Regarde Imposé. O assunto, claro, era quanto o "incomunicável" Antonioni tinha se revelado grande comunicador (verbalmente falando) diante dos olhos da plateia jovem e apaixonada.

Para mostrar isso, Carlo vasculhou seu arquivo pessoal - "pois cada vez que ele ia a um programa, dava uma entrevista, eu gravava" - e também os da TV italiana. Assim, teceu uma colcha de retalhos tão complexa e bela quanto a persona do diretor. "Quis mostrar quanto Michelangelo, que tinha essa fama de taciturno e calado, era, na verdade, muito bem-humorado, divertido", comentou Carlo, feliz com a plateia jovem que o indagava sobre detalhes da vida do diretor ferrarese. "Depois que ele sofreu o AVC, em 1985, o contato com os jovens, que o prestigiavam em vários países, fazia muito bem a ele. Hoje, ver que ainda há tantos jovens que se interessam por sua obra me dá a mesma alegria."

ANTONIONI SOBRE ANTONIONI

Unibanco Arteplex 5 - Hoje, 16h40; quinta, 21h30.

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