A classe de Coco Chanel no teatro de Marília Pêra

A voz cristalina da atriz MaríliaPêra vai ecoar por todo o Teatro Faap, em São Paulo, a partirda noite de sábado, quando estrear a peça Mademoiselle Chanel.No papel de Coco Chanel (1883-1971), a estilista querevolucionou a moda e os conceitos femininos, ela vai falarmuito. "Chanel era uma metralhadora verbal, pois acumulouhistórias e conheceu muitas pessoas ilustres", explica. "Em 88anos, ela presenciou fatos importantes e conviveu com pessoasque mudaram a história da humanidade." Escrita por Maria Adelaide Amaral, Mademoiselle Chaneltraça um perfil da mulher que se transformou em sinônimo deelegância quando suas criações funcionais se tornaram objeto dedesejo em todo o mundo. Foi ela quem valorizou a malha, crioutrajes esportivos, além, é claro, do tailleur, do corte decabelo que leva seu nome e do perfume Chanel n.º 5, um cobiçadocoquetel de 80 ingredientes. "Ela libertou as mulheres doespartilho", comenta Marília, que interpreta Chanel em sua fasemadura. E, não bastasse o brilho de sua atuação e a delicadezadas palavras escritas por Maria Adelaide, a peça conta com umtrunfo imbatível: figurinos especialmente enviados pela maisonChanel, edifício francês do século 18 que abriga o passado e opresente da produção da estilista. "Eles nunca liberaram nenhuma produção sobre a vida deCoco Chanel até descobrirem detalhes do nosso projeto",orgulha-se o diretor do espetáculo, Jorge Takla. "Ao perceberque não faríamos nenhuma caricatura da estilista e,principalmente, que não havia uma preocupação em apresentar umabiografia exata, mas algo onírico, eles não apenas aprovaramcomo ofereceram um auxílio precioso." Assim, Marília Pêra e as modelos Laura Wie e ElenLondero exibem 16 figurinos, entre tailleurs, vestidos, sapatos,chapéus, bijuteria, camélias e adereços originais,confeccionados em Paris. O alemão Karl Lagerfeld, designer da maison Chanel,vistoriou pessoalmente cada objeto e, empolgado com a peçabrasileira, desenhou um croquis que se tornou o cartaz oficialdo espetáculo. "Chanel é sinônimo de juventude, modernidade evanguarda. Ela representa a permanência de um estilo, do luxoconfortável, da liberdade e da independência feminina. Foi umamulher cheia de paixão, permanentemente atraída pelo novo, pelaaventura", comenta Takla. No espetáculo, que é uma produção da CIE Brasil e Faap,Chanel recorda sua vida, a ligação com a moda e suas relaçõescom personalidades como os pintores Pablo Picasso e SalvadorDalí, o escritor Jean Cocteau, o bailarino Serge Lifar, ocompositor Igor Stravinski e o produtor Sergei Diaghilev, entreoutros. Na criação da personagem, Marília Pêra fez diversaspesquisas - leu biografias e artigos, observou dezenas de fotose acompanhou atentamente as poucas imagens em movimento querestaram da estilista. "Chanel era uma mulher misteriosa, poisoferecia várias faces", conta a atriz. "Apesar de sua falaagressiva, ela inventou um jeito delicado de andar." Maríliapreocupou-se com a coreografia do personagem, representando comelegância gestos comuns de Chanel como colocar uma das mãos nobolso (ou no cós da saia), enquanto a outra segura um cigarro."Ela é uma atriz que alcança a alma do personagem", observaTakla, que trabalha pela quarta vez com Marília. "Ela só aceitainterpretar um papel quando sabe que a sua verdade pode serusada para recriar a verdade do personagem." Nos últimos minutos do espetáculo, Marília exibe tambémseu talento como cantora, interpretando a capela uma cançãofrancesa. E o final é marcado por outra música, gravada, com elacantando em inglês. "É nossa homenagem a Chanel."Mademoiselle Chanel. De Maria Adelaide Amaral. DireçãoJorge Takla. 75 minutos. 10 anos. Teatro Faap (400 lug.). RuaAlagoas, 903, Pacaembu, 3662-7233. Sexta, 21 horas; sábado, 19horas e 21h30; domingo, 18 horas. R$ 50 (sexta); R$ 55 (domingo)e R$ 65 (sábado). Patrocínio: BNP Paribas, Sun Microsystems eTAM

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