Nidin Sanches/Divulgação
Nidin Sanches/Divulgação

A chance de conhecer a companhia brasileira

Montagem de O Barbeiro de Sevilha, regida por Neschling, chega a São Paulo

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2010 | 00h00

Após passar por 12 cidades, onde fez 67 apresentações para um público aproximado de 55 mil pessoas, a Companhia Brasileira de Ópera entra esta semana na reta final de sua primeira temporada - de hoje até o dia 3, ocupa o palco do Teatro Alfa, em São Paulo; nos dias 20 e 21 de novembro, faz uma parada em Ribeirão Preto; e, de 24 a 28, encerra o ano no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Idealizada pelo produtor José Roberto Walker e o maestro John Neschling, a companhia nasceu no final de 2009 e deu os primeiros passos seis meses depois, no fim de junho, com o apoio do Ministério da Cultura, que bancou metade do orçamento de R$ 10 milhões (a outra metade, por meio de leis de incentivo, foi conseguida com a Petrobrás e o Banco do Brasil).

"Agora que chegamos à reta final deste primeiro ano, há algumas conclusões importantes", diz Walker. "A primeira delas é que há de fato uma demanda enorme por espetáculos nessa área, o que contraria o senso comum. Em algumas cidades, como Recife, tivemos teatros cheios e uma enorme quantidade de pessoas do lado de fora, suficientes para conseguir mais uma lotação completa. O fato é que as pessoas se interessam, sim, e querem assistir, temos apenas que oferecer oportunidades de qualidade", completa.

"A outra percepção é de que é possível, sim, montar uma companhia com um espetáculo complexo como uma ópera e manter o caráter itinerante. De fato, encontramos teatros de estrutura diferente e precisamos muita vezes nos adaptar, mas se você mantém o foco, com uma diretriz financeira muito clara, é possível fazer dentro dos limites estipulados pelo orçamento."

A montagem de O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, ópera escolhida para esta primeira fase da companhia, mistura a atuação dos cantores com a projeção de um desenho animado que oferece não apenas o cenário da ação como também ressalta e comenta o que ocorre sobre o palco. O grande desafio é a sincronização do desenho com a música, feita ao vivo e, assim, sujeita a variações no dia a dia de apresentações. Para tanto, um pianista da companhia fica responsável, partitura na mão, pela projeção, utilizando um sistema conhecido como watchout que, por meio de cerca de 500 comandos pré-programados, permite ajustes em tempo real na sincronização. A regência em São Paulo será de John Neschling que, no restante do País, dividiu o pódio com colegas como Abel Rocha. Nos dias 30 e 31, haverá récitas especiais infantis.

Para o próximo ano, ainda não se sabe o destino da companhia. Walker reconhece que, com as eleições, projetos para o ano que vem estão ainda em suspenso. Mas acredita que os resultados mostrados ao longo de 2010 são promissores. "Uma opção é ir com o Barbeiro para cidades que ainda não viram a montagem, além de pensar em um novo título. De qualquer forma, o primeiro passo seria sentar e montar com cuidado um projeto em que fiquem claros os meios dos quais vamos dispor e, a partir daí, pensar na programação. Esse é um dos segredos do sucesso do projeto, estabelecer um roteiro possível de trabalho a partir dos recursos disponíveis, o que garante a qualidade", diz.

 

 

O BARBEIRO DE SEVILHA

Teatro Alfa. R. Bento Branco de Andrade Filho, 722, 5693-4000. 4ª a sáb, e 2ª, 21 h; dom. e 3ª, 19 h. R$ 30/ R$ 80. Até 3/11.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.