Desirée Furoni/Divulgação
Desirée Furoni/Divulgação

A ceninha de Omar

Em comparação com quarta-feira, a segunda noite do festival TelefonicaSonidos, anteontem, teve temperatura mais quente no Jockey Club de São Paulo. No palco Jazz Latino, porém, ocorreu justamente o inverso. Se a abertura do evento já havia sido morna com Chucho Valdés (salvo a participação de Hamilton de Holanda), o show da noite de quinta, com outro cubano, Omar Sosa, fez com que o mesmo palco chegasse a temperaturas musicais polares.

Lucas Nobile, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2011 | 00h00

A apresentação estava marcada para as 21h30, mas teve início apenas às 22 h. Na entrada, a produção do festival distribuiu uma manta para cada pessoa, como brinde dos patrocinadores. Teria sido prudente se tivessem entregue também um travesseiro, já que a plateia pouco se empolgou com o show sonolento de Omar Sosa e sua banda, os Afreecanos. Tudo bem que grande parte das pessoas estava apenas interessada em desfilar pelo Jockey.

Na arquibancada, havia mais pessoas entretidas com seus celulares do que com os artistas. Uma mulher passou as quase duas horas de apresentação brincando com seu tablet, acessando o site de um tabloide sensacionalista britânico. Os poucos interessados em ver o show tinham de se esforçar para ouvir, pedindo silêncio dos outros "farofeiros".

No palco, Sosa e seu conjunto deram uma verdadeira aula de tautologia. Soltavam um punhado de notas, rodavam, mas não saíam do mesmo lugar. O pianista cubano é um showman, levanta, troca o piano pelos teclados e pelos sintetizadores a fim de criar uma atmosfera interessante para sua sonoridade, mas naufraga com temas vazios e melodias pobres. Tudo isso ficou evidente nas longas composições Elegua e Metisse.

Por volta das 22h30, o convidado brasileiro, o violoncelista Jaques Morelenbaum, subiu ao palco. Juntos, eles tocaram Across Africa, So All Freedy, Alternativo e Light in the Sky. Ninguém nega a carreira renomada de Morelenbaum, mas a combinação dele com Sosa foi infeliz. Em termos de volume de som, o brasileiro era engolido pela banda, sendo ouvido apenas nos momentos de seus solos. Mesmo sendo um craque, sua participação foi de mera figuração.

Recepção. No lounge montado para recepcionar o público, o som era de primeira. Na quarta, com o acordeonista brasileiro Bebê Kramer e o violonista argentino Matías Arriazu. Anteontem, foi a vez do excelente trio de Carlos Roberto Oliveira (piano), Evaldo Guedes (baixo acústico) e João Vitor (bateria). Para ontem, estavam previstos os shows de Alex Cuba e Tulipa Ruiz, no Palco Latino; Juan Formell y Los Van Van e Carlinhos Brown, Julieta Venegas e Marisa Monte e Los Amigos Invisibles e Seu Jorge, no Palco Pop Urban.

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