"A Casa das Sete Mulheres" estréia amanhã

Além das telenovelas, outra grandeespecialidade da "Rede Globo" são os épicos históricoscontados na forma de minissérie. Basta citar algumassuperproduções muito bem-feitas, como O Tempo e o Vento eMemorial de Maria Moura. Agora, as apostas recaem sobre ACasa das Sete Mulheres, minissérie dirigida por JaymeMonjardim e escrita por Maria Adelaide Amaral e Walther Negrão,que estréia amanhã na emissora. A epopéia, baseada no romance homônimo da escritoraLetícia Wierzchosksi, narra o cotidiano de sete mulheres, queprecisam sobreviver sozinhas quando os homens da famíliaabandonam o lar para lutarem na Guerra dos Farrapos (travada nosul do Brasil, em meados do século 19). Enquanto os farroupilhas se voltam contra o impériobrasileiro, na tentativa de emancipar o Rio Grande do Sul dorestante do País, elas permanecem confinadas na estância daBarra, propriedade de uma das mulheres. O líder da revolução emembro dessa família, Bento Gonçalves, acredita que assim elasficarão seguras de todo e qualquer perigo. No entanto, o gruponão conseguirá escapar das dificuldades e privações provocadaspela guerra. O que não as impedirá também de sonhar e seentregar às paixões - na maioria das vezes, proibidas. Apesar de essas sete mulheres (vividas pelas atrizesBete Mendes, Nívea Maria, Eliane Giardini, Daniela Escobar,Camila Morgado, Samara Felippo, Mariana Ximenes) desempenharempapéis fundamentais na trama, a autora Maria Adelaide conta quea Guerra dos Farrapos não será contada apenas sob a óticafeminina. "Na verdade, a guerra enfocada sob o ponto de vistadelas está muito mais no romance do que na minissérie. Trata-sede um ponto de vista muito atraente, mas não fornece matériapara 52 capítulos", ela afirma. Segundo a autora, a história lhe caiu nas mãos poracaso. Em abril do ano passado, ela recebeu da diretora editoralda "Record", Luciana Villas-Boas, o livro A Casa das SeteMulheres, com a observação de que o "romance daria uma boaminissérie". "Na época, eu estava envolvida com O CapitãoMouro, que acabou sendo adiado quando Denise Sarraceni foidirigir a novela das seis. O projeto era dela", recorda MariaAdelaide. "Coincidiu que o Jayminho Monjardim queria dirigiruma minissérie e me ocorreu de sugerir A Casa das SeteMulheres, idéia que foi imediatamente aceita." Quem acompanhar a minissérie verá personagens ficcionaistransitando na telinha lado a lado com personagens verídicos. Narealidade, os autores acabaram agregando elementos ficcionaisaos próprios personagens históricos. "Bento Manuel foi o grandeantagonista de Bento Gonçalves na vida real e na minissérie serámais, por ser apaixonado por Caetana, mulher de seu rival",comenta. Eles vão adquirir os rostos famosos de um elenco deprimeira linha global, com direito ao galã Thiago Lacerda, napele do revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi, e à novaqueridinha da TV, Giovanna Antonelli, como a lendária AnitaGaribaldi. Mesmo mesclando realidade e ficção, Maria Adelaide eWalther Negrão contaram com consultorias especializadas noassunto para não derraparem em datas e fatos. Maria AdelaideAmaral, por exemplo, recorreu algumas vezes, por e-mail, aoescritor e cineasta Tabajara Ruas. Autor de livros como NettoPerde Sua Alma e Varões Assinalados, nos quais aborda aRevolução Farroupilha, Tabajara Ruas apóia esse tipo depreocupação dos autores. "Não se pode escorregar em absurdos, oque ocorre com grande freqüência na indústria audiovisual", dizele. Além de Ruas, apontado por Maria Adelaide como "nossoconsultor oficial", a dupla de autores teve a colaboração dapesquisadora Carmen Righetto e dos professores Flávio Aguiar eSérgio da Costa Franco, sempre que os livros de História e deficção não conseguiam esclarecer pontos importantes. Para MariaAdelaide, a História do Brasil é uma fonte inesgotável para adramaturgia. Outros momentos e personagens históricosgenuinamente brasileiros que renderiam belas minisséries?"Zumbi dos Palmares, Castro Alves, a Revolução Paulista de 32,Chico Rei, o Rio de Janeiro do final do século 19, com suasextraordinárias figuras, como Olavo Bilac, Paula Nei, Emílio deMenezes, Lopes Trovão, Pardal Mallet, João do Rio, a Guerra dosEmboabas, entre outros."

Agencia Estado,

06 de janeiro de 2003 | 16h19

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