A cara é de mau, mas ele é contido

Na série 'A Teia', João Miguel interpreta delegado que faz de tudo para não ser violento com bandidos de um grande roubo

João Fernando, O Estado de S.Paulo

26 Janeiro 2014 | 02h11

RIO - A fala é mansa, mas os bandidos tremem na base quando ele chega perto. Com aparência de um homem tranquilo, Jorge Macedo, delegado interpretado por João Miguel, vai passar dez episódios correndo atrás de criminosos muito procurados sem encostar o dedo neles em A Teia, série que estreia terça-feira na Globo, às 23h30.

Escrita por Braulio Mantovani (Cidade de Deus) e Carolina Kotscho (2 Filhos de Francisco), a atração conta a história de uma quadrilha, liderada por Marco Aurélio Baroni (Paulo Vilhena), que rouba uma valiosa carga de ouro de um avião no aeroporto de Brasília, deixando a polícia intrigada.

Convocado para resolver o caso, Jorge Macedo vai, aos poucos, capturando os ladrões. Apesar de ter sangue nos olhos para chegar ao chefe do grupo, o delegado se contém para não agredir os bandidos. "Ele está no limite da violência, mas a realidade já é muito violenta. Isso tem a ver com a realidade brasileira", acredita João Miguel.

Para ele, a ausência de tapas na trama é compensada pelos diálogos das cenas tensas. O ator se diz atraído pelo jeito de agir do personagem. "O Jorge Macedo é um personagem que representa uma espécie de herói brasileiro, que não sai por aí se divulgando. Acho charmoso e respeito muito esse tipo de gente", filosofa o artista.

O delegado é mais um nordestino no currículo do baiano João Miguel, que já interpretou tipos assim no cinema e na TV. Entretanto, jura não ter caído no estereótipo. "Acho que saí dessa catalogação. Só não crio disso um problema, pois sou nordestino. O que me interessa, independentemente de ser nordestino ou não, é representar o meu país através dos tipos humanos", disse ao Estado.

Segundo o ator, o personagem de A Teia tem outro viés. "Durante muito tempo, o nordestino foi catalogado como engraçado, como capiau, submisso. Curiosamente, nessa série ele é um homem de paletó e gravata que cumpre o ofício dele. É incorruptível, como muitos brasileiros ", acredita.

Mesmo com papéis principais no cinema, como em À Beira do Caminho (2012), é a primeira vez que João Miguel encarna um protagonista na TV, escrito sob medida para ele. "Para mim, é mais um trabalho. Fazer o protagonista dá umas responsabilidades a mais porque, de alguma maneira, ajuda a criar o tom do trabalho. Eu adoro coadjuvantes. Cada um tem o seu valor. Isso não me envaidece."

Sem contrato fixo com a emissora - "Eu tenho um namoro moderno com a Globo. Cada um fica na sua casa" -, ele vai rodar este ano os longas Joaquim, de Marcelo Gomes, em que interpreta Tiradentes, e Big Jato, dirigido por Cláudio Assis, em que fará mais um nordestino.

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