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A caixinha

Discute-se a melhor maneira de punir o presidente Trump por ter incitado a invasão do Congresso e criado as cenas de caos que os americanos não vão esquecer tão cedo

Luis Fernando Verissimo, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2021 | 03h00

Discute-se a melhor maneira de punir o presidente Trump por ter incitado a invasão do Congresso e criado as cenas de caos que os americanos não vão esquecer tão cedo. Ele poderia ser processado ou impichado (de novo). Estou escrevendo antes da escolha do castigo. A última notícia que se tem é que Trump estaria trancado no seu quarto na Casa Branca, recusando-se a receber assistentes, amigos e parentes. Do lado de fora da porta, teria se formado uma espécie de comitê que tenta convencê-lo a se entregar ou pelo menos conversar. Trump resiste. A qualquer tentativa de comunicação, ele começa a cantar. Convites para saírem todos dali e irem jogar golfe também são ignorados. Trump só respondeu quando perguntaram se ele precisava de alguma coisa.

– Preciso de mais quatro anos de governo. 

– Mas o senhor perdeu as eleições. 

– Invenção da imprensa sem caráter. Se eu tivesse contado os votos, teria vencido.

– O senhor não precisa de mais nada mesmo? Algo para os cabelos? Tintura? Armação? 

– Tenho tudo que eu preciso, obrigado. Inclusive a caixinha...

– A caixinha?

– A caixinha. Com os dois botões. Um dispara foguetes contra a Rússia, o outro dispara foguetes contra o Congresso americano.

A revelação de que Trump tem a caixinha dentro do quarto fechado provoca uma correria dentro da Casa Branca. Ele tem a caixinha! Ele tem a caixinha! Ele não tem a caixinha! Alguém viu a caixinha? Perguntam para ele: 

– Presidente, o senhor usaria armas nucleares contra a Rússia e o Congresso?

– Se me provocarem... 

É ESCRITOR, CRONISTA, TRADUTOR, AUTOR DE TEATRO E ROTEIRISTA

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