'A cada leitura, mais caminhos e descobertas'

Textos do dramaturgo são vivos, engraçados, surpreendentes - e nos convidam ao exercício do deslocamento

O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2013 | 02h06

Já escrevi algumas coisas sobre o teatro de Daniel MacIvor e também dessa espécie de fixação que tenho vivido, essa mania que me levou a fazer três das suas peças em sequência. Comecei com In on It, que quando assisti em Nova York me pareceu um bom exercício, uma produção simples e um trabalho excelente para dois atores. O mergulho foi fundo e longo: temporadas e turnês por muitas cidades, encontros sempre intensos com o público, espectadores encantados com a experiência proporcionada por uma dramaturgia elaborada e comunicativa.

Com A Primeira Vista, uma sensação de já conhecer o material e em seguida as várias rasteiras pelas sucessivas constatações de que aquele fundo é tão sem fundo que o que sobra é sempre mais espaço, mais caminhos e mais descobertas.

Com Monstro, peça solo a ser estreada no Rio em junho, de novo uma intimidade e um texto que parece que vem bem na boca; que, embora labiríntico, multifacetado e de certa forma secreto, é um texto que não se esconde, um texto que se esclarece na medida em que se convive com ele. Nesse caso, o afeto redimido e generoso das outras peças vira um afeto às avessas, compulsivo, obsessivo e destruidor, e com uma graça bem particular.

A humanidade do que escreve Daniel MacIvor é a humanidade de quem não tem pena, mas que se irmana com o material. É vivo, engraçado, surpreendente e mutante, porque ele faz questão de convidar o espectador ao exercício do deslocamento. E isso, meus amigos, vale ouro.

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