A bússola aponta para o Oriente

Em Roma, Abed Mahfouz põe seda, brilho e curvas na passarela

EFE / ROMA, O Estado de S.Paulo

18 Julho 2010 | 00h00

 

O estilista libanês Abed Mahfouz deslumbrou a passarela da AltaModa AltaRoma, semana fashion da capital italiana, com uma coleção escultural, suntuosa e extravagante que se inspira no Oriente, com sua feminilidade e seus materiais deslumbrantes.

Uma seleção de 40 vestidos que lembram a Opera House de Sydney, por suas formas geométricas e pregas exageradas, foi apresentada na terça e se tornou um dos pontos fortes da semana de moda e o nome mais internacional da mostra dedicada à alta-costura italiana.

Abed Mahfouz colocou as curvas da mulher a serviço de seus vestidos tridimensionais, volumosos e simétricos, que insinuam a procedência oriental. Todos eles trazem o brilho das lantejoulas, muito recorrentes nos quadris e bustos, os cristais e os bordados em fio de prata, que imprimem luz para uma mulher que quer resplandecer e ser o centro de todos os olhares.

Flowing Sculpture (Escultura fluida), nome da coleção, propõe assim um desafio ao espaço, com roupas esvoaçantes que adquirem vida na passarela, para dificuldade das modelos.

Entre o vermelho e o dourado, o azul-água e o verde-oliva, Mahfouz propõe uma viagem de contrastes que se reflete também no corte dos vestidos, sempre justos do busto até os quadris, no estilo corsé, e com muita amplitude a partir da cintura.

São trajes bem longos e vaporosos, em tecidos como seda, cetim e tafetá e cortes vertiginosos, com saias tubinho, de organza ou veludo. Com esta coleção o estilista libanês decora o corpo da mulher como deseja, realça suas curvas, glorifica os decotes pronunciados no dorso e busto e redescobre as ombreiras altas.

No encerramento dessa explosão de brilho, Abed Mahfouz fez uma prévia da sua coleção de vestidos de noiva com o modelo que chamou de Al-Halimah (A sonhadora), composição de tecidos e formas que torna Mahfouz o defensor de uma feminilidade que não vê fronteiras entre Oriente e Ocidente. Prova disso foi a sua participação na conferência New Islamic Style (Novo Estilo Islâmico) realizada pouco antes do último desfile do italiano Renato Balestra.

Lição. Também na AltaModa, o estilista italiano Lorenzo Riva (leia abaixo) deu lição de alta-costura na apresentação de sua coleção outono/inverno 2010-2011, um desfile realizado no quarto de um hotel, sem música e acompanhado somente pelo "clique" das câmeras fotográficas.

Mesmo fazendo parte da Semana da Moda de Roma, Riva quis se dissociar do concurso com um encontro para um público seleto no luxuoso hotel Exedra, na capital italiana, desafiando o espaço e os obstáculos técnicos com seu habitual senso de humor e a elegância de seus modelos.

"Fico enlouquecido com os "cliques" dos fotógrafos", declarou Riva, relativizando o contratempo que o deixou sem equipamento musical e apresentando um desfile que serviu de homenagem à atriz britânica Kay Kendrall.

São vestidos muitos justos, curtos e de cores fluorescentes, que o italiano combina com peles de zibelina, abrigos de esteira folgados na parte dianteira e justos nas costas, jaquetas curtas de gola majestosa e botas bicolores que nos transportam à Swinging London dos anos 60.

Há modelos com nome próprio que reivindicam o selo da alta-costura romana como o Via Veneto, um abrigo com gola de visom que substitui as mangas por luvas. Surpreende o trato especial que Riva dedica ao verde-oliva no apertado Piazza di Spagna - um convite ao tempo em que os desfiles da Cidade Eterna eram inaugurados na praça de mesmo nome -, elaborado com tule, seda e toques de veludo com bordados que imitam a queda das folhas no outono.

Vestidos ondulados de coquetel plissados em dourado e coral ou trajes largos de seda dignos das mulheres de Luchino Visconti deram lugar a um espetacular vestido de seda, corte imperial, branco e adornado no decote com cristais cor de chocolate.

Sem dúvida, para saborear seus matizes, seu peso e caimento, a obra com sofisticação e um toque selvagem do estilista deve ser apreciada "sem pressa", aconselha o estilista.

Ele aproveitou a apresentação de sua coleção para dizer "não" aos transtornos alimentares como a anorexia e a bulimia, que afetam grande número de mulheres no mundo da moda, e concluiu seu desfile com um modelo dedicado a Nadia Accetti, presidente da associação DonnaDonna onlus. Riva deu assim seu apoio à campanha Unidos Contra os Distúrbios Alimentares, promovida pela associação, e demonstrou que a beleza tem como base a aceitação de si. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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