Ubiratan Brasil/AE
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A bola agora é do Brasil

País recebeu, no domingo 14, o bastão de homenageado da próxima Feira de Frankfurt

UBIRATAN BRASIL, ENVIADO ESPECIAL / FRANKFURT, O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2012 | 03h11

"Brasil, o palco agora é de vocês". Foi assim que Jürgen Boos, diretor da Feira do Livro de Frankfurt, oficializou o País como o convidado de honra da edição do próximo ano. O evento aconteceu ontem no pavilhão ocupado pelo atual homenageado, a Nova Zelândia, que se despediu com canções tradicionais maori. Empossado, o Brasil respondeu com bossa nova: um show de voz e violão, com Celso Sim e Arthur Nestrovski.

A cerimônia começou, na verdade, com uma conversa entre Milton Hatoum, cronista do Estado, e a poeta neozelandesa Hinemoana Baker. Um encontro oportuno pois ambos tratam da imigração em sua obra, tema muito caro aos dois países.

Em seguida, o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, órgão responsável pela organização da participação brasileira, subiu ao palco para receber o bastão de Taonga Manatu, ministra da Cultura e Patrimônio da Nova Zelândia. Nesse bastão, constam frases de grandes escritores brasileiros - um gesto simbólico que se tornou inusitado: de paletó e gravata, equilibrando-se com o bastão, o microfone e o aparelho de tradução simultânea, Amorim buscava se localizar no palco ao se ver em meio a um apresentação maori, com seus participantes gritando e fazendo caretas.

Passada a festa, a realidade. O Brasil precisa decidir com urgência como vai se espalhar pela feira, além de ocupar o pavilhão de convidado de honra: com apenas um enorme estande (como costuma fazer), ou dividindo as editoras pelos pavilhões temáticos, como o de livros infantis e de quadrinhos. Os organizadores da feira necessitam da resposta até no máximo o final de janeiro.

Já os cenógrafos e diretores Daniela Thomas e Felipe Tassara foram conhecer, no sábado, o pavilhão reservado ao país homenageado. A dupla será responsável pela criação da ocupação brasileira em 2014. "Achei o espaço pequeno", disse Daniela, referindo-se aos 2.500 mil metros quadrados. "Também fiquei impressionada com a visitação: só no sábado, 25 mil pessoas passaram por ali." É bom lembrar que, no fim de semana, a feira é aberta ao público.

Por conta disso, Daniela disse que vai repensar o número de espaços que planejava criar - afinal, é preciso pensar na locomoção. Ela e Tassara, seu sócio e marido, ainda não sabem qual o conceito que terá o pavilhão nacional, pois ainda vão se reunir com os organizadores brasileiros. "Na verdade, quero saber deles apenas o que é essencial, aquilo que não deve faltar."

A dupla terá liberdade total de criação e poderá utilizar também o material que julgar necessário. Daniela conta que pensa em usar papelão, mas aguarda liberação dos organizadores alemães, por se tratar de algo inflamável. A questão básica, no entanto, é o foco criativo.

"O Brasil é um país que provoca lembranças diversas nos estrangeiros: o futebol, o samba, as mulatas, a natureza. É como um casaco repleto de broches. E assim também é nossa literatura. Por isso que é importante não errar o foco", comenta ela.

Daniela conta que aprendeu uma grande lição com o estilista Jun Nakao quando ela criou a participação brasileira na cerimônia de despedida da Olimpíada de Londres. "Ele me disse que não podemos nos esquecer daquilo que as pessoas esperam ver. O público que vai assistir a um show do Coldplay, por exemplo, também quer ouvir os grandes hits, não só as novas canções. Isso deve influenciar nosso processo criativo."

Os cenógrafos foram responsáveis pelo pavilhão brasileiro da Feira do Livro de Bogotá, na Colômbia, em abril, quando o Brasil também foi homenageado. Criaram divisórias de palavras vazadas. "Mas foi uma experiência diferente da que enfrentaremos em Frankfurt, pois o espaço lá era muito menor (3 mil metros quadrados)", observou Daniela.

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