A boa safra do mercado de obras artísticas

A SP-Arte, em sua 6ª edição, abre hoje ampliada e reunindo 2.500 peças

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2010 | 00h00

         

 

 

 Pavilhão. Vista da montagem da nova edição da feira na Bienal                                               Cautela. Foi o sentimento que, no ano passado, meses antes da abertura da SP-Arte - Feira Internacional de Arte de São Paulo, a diretora do evento, Fernanda Feitosa, chegou a compartilhar com galeristas, apreensiva quanto aos negócios daquela edição: afinal, era tempo de crise econômica, pós derrocada mundial. "Mas, para nossa surpresa, a feira foi super bem", diz Fernanda - e fazendo um balanço geral, o volume de vendas de obras em 2009 no evento foi de quase US$ 15 milhões. Nada mau.

Já para agora, com a inauguração hoje para convidados e amanhã para o público da 6ª SP-Arte, no prédio da Bienal, não se sente nenhuma ameaça de crise, pelo contrário: ocupando 7,5 mil metros quadrados do térreo e primeiro andar do edifício no Ibirapuera e apresentando estandes de 80 galerias - 70 nacionais (as principais do País) e 10 estrangeiras (com participação, pela primeira vez, da Inglaterra e do México) -, espera-se que as vendas desse ano sejam ainda melhores do que nos anteriores, como num movimento natural de consolidação do evento. Na 1ª SP-Arte, em 2005, participaram 41 galerias (apenas 1 estrangeira) e, como exemplifica Fernanda, em 2006 o volume de vendas foi de US$ 5 milhões.

Conta a favor desse processo, ainda, uma onda de que o mercado de arte no Brasil não foi afetado pelos problemas da economia - enquanto no exterior a queda foi de 30 a 40%, por aqui nada parou. "A SP-Arte não é feira de cartãozinho", diz a diretora do evento, que também organiza a 4ª SP-Arte/Foto, dedicada apenas ao gênero e que ocorrerá entre 8 e 12 de setembro no Shopping Iguatemi.

Bonança. O mercado brasileiro vai tão bem que o Rio de Janeiro também terá uma feira internacional de arte, a primeira edição da ArtRio, que ocorrerá entre 15 e 19 de setembro (pouco antes da abertura da 29ª Bienal de São Paulo) em dois armazéns do Pier Mauá. "Por enquanto temos fechado a participação de 50 galerias, entre elas, 14 estrangeiras", diz Brenda Valansi Osorio, organizadora, do evento, ao lado de Elisângela Valadares. "O Rio está em super evidência por causa do esporte", afirma Brenda. Segundo ela, a feira carioca conta com o apoio da Secretaria de Turismo do município do Rio e da Secretaria de Cultura do Estado.

"Concordamos plenamente que o mercado brasileiro esteja melhor que de muitos de seus pares latino-americanos, sustentado não apenas por uma bonança econômica do País, mas ademais por uma atitude de colecionadores fiéis a seus artistas e a seus gostos", afirma o argentino Gianni Campochiaro, proprietário do GC Estúdio de Arte, de Buenos Aires. Participando pela quarta vez da SP-Arte, o marchand, curiosamente, tem entre a obra mais cara de seu estande um trabalho do brasileiro Raimundo Colares, avaliado em U$ 180 mil.

Por outro lado, há quem pondere o entusiasmo brasileiro. "Em nossa visão, não existe um aquecimento da arte brasileira se comparado a nichos especulativos. Isso significa que há campo para desenvolvimento do Brasil em um mercado mais amplo e internacionalizado", afirma Camille de Bayser, da galeria franco-brasileira Sycomore Art, de Paris, que estará na 6ª SP-Arte. O interesse de Fernanda Feitosa, como ela diz, é centrar esforços para expandir participações na feira da Argentina, México, Venezuela, Colômbia e Porto Rico. "Os EUA também nunca estiveram na SP-Arte e me inspiro também na qualidade da feira Miami-Basel (que ocorre em dezembro)", conclui.

Destaques. O evento paulistano, que tem 75% de suas obras contemporâneas e 25% modernas, apresente nesta edição como primeiro grande destaque a escultura Tamba Tajá, realizada em 1945, pela escultora Maria Martins (1900-1973). Segundo o marchand Renato Magalhães Gouvêa Jr., da Arte 57, a obra, avaliada em cerca de R$ 1,5 milhão, pertenceu ao colecionador argentino Eduardo Constantini e chegou a figurar no acervo que formaria o Museo de Arte Latinoamericana de Buenos Aires (Malba), entretanto, nunca fora exibida na instituição. "É uma peça inédita no mercado brasileiro e é uma sorte estar aqui", diz Gouvêa, explicando que a escultura de raiz surrealista, tendo como tema uma lenda indígena sobre o amor, estava no exterior.

A presença, pela primeira vez, de criações de Lygia Pape (1927-2004), menção honrosa na última 53ª Bienal de Veneza, também é comemorada, como um objeto de 1990 na Almeida & Dale Galeria de Arte - seu estande ainda colocará a venda uma grande pintura da série Ruína e Charque de Adriana Varejão. Outro destaque é a exposição individual de esculturas e gravuras do mineiro Amilcar de Castro (1920-2002) em espaço feito em parceria entre a Paulo Darzé Galeria (de Salvador) com a paulistana André Millan.

Uma boa iniciativa da SP-Arte, implantada no ano passado, foi a seção Arte Nova, dedicada a galerias menores e que trabalham com jovens criadores. Desta vez estarão a Dumaresq, Mezanino, Dconcept, Dropz, Emma Thomas e Amarelonegro, a argentina Ignacio Liprandi e a virtual Galeria Motor.

O evento ainda promoverá ciclo internacional de palestras no auditório do Museu de Arte Moderna (veja programação em www.sp-arte.com e ainda cobertura on-line pelo site do Forum Permanente de Museus) e prêmios aquisições do Shopping Iguatemi para a Pinacoteca do Estado e Museu de Arte Moderna da Bahia; do Banco Espírito Santo; e da colecionadora Cleusa Garfinkel para o MAM de São Paulo.

Números

A Feira Internacional de Arte de São Paulo revela alguns dados

80

galerias participantes este ano, entre elas, 10 estrangeiras de Argentina, Uruguai, Inglaterra, França, Espanha e México

15 milhões de dólares

foi o volume de vendas de obras na edição do evento em 2009, considerado um ano de crise mundial

1,5 milhão de reais

é o preço de uma das peças mais caras da feira, a escultura Tamba Tajá (1945) de Maria Martins

 

 

 

 

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