"A Bela e a Fera", um amor de R$ 8 mi

Duzentas pessoas estão trabalhando diariamente com 50 toneladas de perucas, sapatilhas, capas e castelos. O ritmo é de contagem regressiva para que no dia 20 de junho se dê a estréia, no Teatro Abril, do musical da Disney A Bela e A Fera, uma das maiores produções da Broadway, que está em cartaz em algumas grandes cidades do mundo desde 1994. Neste espetáculo, a suntuosidade é proporcional às cifras. A Bela e A Fera brasileira (idêntica à americana, mas cantada em português) vai custar R$ 8 milhões, a mais cara produção realizada no País em todos os tempos. Superou Les Misérables, que, em um ano em cartaz, gastou R$ 7 milhões. A Bela e A Fera não terá o palco que roda de Les Misérables. Em compensação seus castelos, casebres e campos, todos desenvolvidos pela Walt Disney Theatrical Productions, exigem um maquinário ainda mais complexo. O ponto alto fica por conta do final, na transformação da Fera (Saulo Vasconcelos) em príncipe. Para a cena, estão previstos grandes efeitos de mágica, utilizando um sistema de luz de última geração. "Esperamos superar o público de Les Misérables", diz Jorge Takla, diretor da Divisão de Teatro da CIE (Corporação Interamericana de Entretenimento) no Brasil, grupo responsável pela vinda de A Bela e A Fera e Les Misérables. "Les Misérables era uma peça baseada em uma obra de Victor Hugo, que exigia uma compreensão mais adulta. A Bela e A Fera é uma história infantil, mas com um apelo que abrange qualquer faixa etária", completa Takla. A mais de um mês da estréia de A Bela e A Fera, Takla vislumbra novas grandes produções americanas com grandes nomes brasileiros no elenco. Em março do ano que vem, deverá entrar em cartaz ´Chicago´. "Estou pensando em escalar Claudia Raia", revela Takla. Outro projeto é ´O Homem de La Mancha´. "Convidei o Antônio Fagundes, ator de musicais nos anos 70, que esteve em ´Hair´ e ´Godspell´ e até voltou às aulas de canto. Para A Bela e A Fera, havia cogitado Sandy como protagonista, mas a agenda dela estava cheia", diz o diretor. Na fila de espera estão ´O Fantasma da Ópera´ e ´Miss Saigon´, famosos pela produção exigida em cenas como a da queda do lustre da ópera e a chegada de um helicóptero no Vietnã. "O nosso teatro tem estrutura e equipe capaz de lidar com dois helicópteros", garante Takla. "Tem gente que me critica: ´Mas vocês estão trazendo tudo pronto dos Estados Unidos´. Eles não têm noção do quanto tudo isso é trabalhoso", diz Jorge Takla "O contato com a equipe da Broadway é fantástico para o crescimento musical nacional. Centenas de atores, técnicos e profissionais brasileiros estão aprendendo com os melhores do mundo no gênero", avalia Takla, que está encarregado de coordenar a produção. A montagem brasileira terá a mesma direção da original, a cargo do americano Robert Jess Roth. O "jeitinho americano" é calcado em rígidos organogramas. Os ensaios começam amanhã, mas a produção de A Bela e A Fera está envolvida com o projeto desde a última semana de março. Nessa época, foi coordenado o encerramento da temporada de Les Misérables no Teatro Abril e da ´Bela e a Fera´ em Madri. Enquanto o primeiro seguia para a Cidade do México, o segundo preparava os 19 contêineres para desembarcar por aqui. Uma semana para empacotar, duas semanas para descarregar. "Colocar tudo no mesmo lugar seria uma loucura. Então a equipe resolveu ocupar dois teatros: o Abril e o Teatro Ópera. Assim, tudo pode ser trabalhado e descarregado simultaneamente", explica Magali Helena, gerente de produção. "Só vamos para o Teatro Abril perto da estréia, quando figurinos e cenários estiverem montados". Enquanto casebres, castelos e toneladas de luzes abarrotam todos os 1.533 lugares do Teatro Abril, caixas com vestidos, fios de cabelo, sapatilhas e botões seguem aos cuidados de cerca de 60 pessoas, tomando seis salões do Teatro Ópera. Lá, os atores também realizam os primeiros ensaios. Para que tudo fique absolutamente idêntico à produção original, a equipe carrega 15 catálogos com fotos de todos os detalhes de cenário, maquiagem e figurinos, além de croquis das montagens realizadas na Latin American Tour, com material acumulado em Buenos Aires, México e Madri. Esses livros são chamados de Bíblia. "Se você olhar as fotos, percebe que as Belas parecem a mesma em todos os lugares do mundo. Todos os personagens precisam ter o mesmo tipo físico e traços da montagem original", diz Magali.

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