Mathilde Monnier/Divulgação
Mathilde Monnier/Divulgação

À beira-mar

Em Santos, Bienal Sesc de Dança reúne cias. Nacionais e estrangeiras

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2011 | 00h00

Santos converteu-se em um palco imenso. De hoje até a próxima quinta, 33 companhias de dança desembarcam na cidade. É a sétima edição da Bienal Sesc de Dança, que desceu a serra e prevê apresentações em teatros, praças e ruas.

Mesmo diante de oferta tão vasta, não é difícil pinçar os espetáculos que merecem o esforço de pegar a estrada às vésperas do feriado. A encabeçar a lista está Primero - Erscht, uma criação da cia. Les Ballets C de La B. Ainda que não carregue a assinatura do incensado Alain Platel, a obra tem as marcas que fizeram a fama do grupo belga fundado em 1984.

Na coreografia de Lisi Estaras, a crítica estrangeira encontrou o mesmo traço inovador, a mesma maneira de usar a emoção como disparador de movimentos.

A peça, que abre a programação e volta à cena amanhã, mira a potência das primeiras sensações: a primeira vez em que andamos, contamos uma mentira ou trocamos um beijo.

Inevitavelmente, também é de memória - e de infância - que fala esse trabalho. Em um idílico gramado verde, cinco intérpretes tematizam a lembrança que guardam dessas descobertas. A forma como elas nos marcam e como as reinventamos ao longo do tempo.

Outra montagem que merece um olhar cuidadoso é Pudique Acide/Extasis. Concebido pela francesa Mathilde Monnier, o trabalho é uma recriação de dois de seus espetáculos antigos. O primeiro estreou em Nova York, em 1984. O segundo veio a público no ano seguinte, em Lyon. Em ambos, a diretora do centro coreográfico de Montpellier atua ao lado de Jean-François Durore. Em evidência, surgem suas reflexões acerca da sexualidade.

A completar a grade internacional, despontam Luis Garay & Co. Buenos Aires - grupo argentino conduzido pelo colombiano Luis Garay - e a bailarina Germaine Acogny, do Senegal, Os uruguaios do grupo La Casa também aparecem com a intervenção Siredia.

Em casa. Na seleção brasileira, há trabalhos de destaque, mesmo entre aqueles que excedem o eixo criativo do Sudeste. Dividido entre a Holanda e o Piauí, o coreógrafo Marcelo Evelin está escalado com Matadouro. Serão oito os Estados representados na mostra.

Algumas estreias estão previstas. Dedicada às plateias infantis, a paulistana Cia. Druw mostra seu novo espetáculo: Girassóis. As telas de Vincent Van Gogh são fonte de inspiração para a diretora Miriam Druwe.

Outra opção para o público é reencontrar obras que já estiveram em cartaz em São Paulo. Caso de Vestígios, de Marta Soares. Ou do diálogo entre dança e música proposto pela bailarina Morena Nascimento e pelo pianista Benjamin Taubkin.

Novo formato. Uma das principais diferenças desta edição em relação às anteriores é a ausência de um recorte temático, explica Juliano de Azevedo, da Gerência de Ação Cultural do Sesc. "Essa opção deu um pouco mais de liberdade ao curadores, que conseguiram abarcar vários aspectos próprios da dança contemporânea." É assim que traços como permanência e territorialidade poderão ser vistos em várias das coreografias selecionadas.

Outra novidade neste ano é o uso de diversos espaços. Com uma grade mais encorpada, além do teatro do Sesc, três salas de espetáculo também passaram a integrar o circuito.

Tal expansão inspira-se, conta Azevedo, no Mirada - o Festival de Teatro Iberoamericano que a cidade portuária acolheu em 2010. Serão repetidas, inclusive, algumas experiências da mostra teatral. Entre elas, uma rede de intercâmbio entre os criadores e transporte gratuito partindo da capital paulista.

Espaços públicos de Santos, tais como a rodoviária e um posto do Poupatempo, também serão contemplados. "Queremos nos apropriar mais do espaço urbano", comenta Azevedo.

Lugares centrais e periféricos, recebem intervenções e instalações, como 100 Lugares para Dançar. Criada especialmente para esta edição da Bienal, a obra da cia. Quintos é uma videoinstalação composta por uma centena de minifilmes. Em cada um deles, exploram-se as possibilidades de a dança ocupar locais diversos da cidade. Há improvisos dos bailarinos participantes, mas também uma abertura para o imprevisto. Cenas nas quais anônimos foram registrados em manifestações espontâneas.

Estão prevista ainda uma série de atividades de formação, como palestras e workshops.

DESTAQUES

Les Ballets C de La B

O grupo belga traz o espetáculo Primero - Erscht, dias 1º e 2

Mathilde Monnier

Pudique-Acide/Extasis é uma junção de duas obras da coreógrafa francesa, dias 3 e 4

Marcelo Evelin

O artista do Piauí apresenta a criação Matadouro, dias 5 e 6

Cia. Druw

A companhia paulistana estreia o infantil Girassóis, dias 7 e 8

Luis Garay

O artista conduz a bailarina Florencia Vecino na montagem Maneries, dias 7 e 8

Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira

A dupla de intérpretes-criadores está na programação com A Revolta da Lantejoula, dia 8

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