A batalha de Smallville

Como foi a batalha encenada pelo diretor Zack Snyder e seus colaboradores nos arredores de Chicago

LUIZ CARLOS MERTEN / CHICAGO, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2013 | 02h23

Durante toda a visita ao set de Man of Steel, O Homem de Aço, em 27 de agosto de 2011, o pai do diretor Zack Snyder, Eli Snyder, fica cercando o grupo de jornalistas de todo o mundo que assiste à filmagem de cenas particularmente complicadas. Elas compõem a batalha de Smallville (Pequenópolis nos quadrinhos), e neste dia os jornalistas andam às cegas. Nem Zack nem sua mulher, a produtora Deborah Snyder, informam grande coisa sobre o que o grupo está vendo. Ambos emitem conceitos sobre o filme, e seu herói, Superman, mas calam quanto à trama. O pai é que comete indiscrições, e diz que a cena é o gran finale, quando o herói tem de salvar a cidade do ataque do vilão Zod.

Ele não está no set neste dias e o próprio Superman só aparece para que o grupo de jornalistas seja apresentado a Henry Cavill, que faz o papel, e conheça o novo uniforme do super-herói. Feito com microfibras, é mais leve e adere mais à pele do que aqueles que Christopher Reeve usou na série de quatro filmes que começou com o diretor Richard Donner, em 1978. Se Eli Snyder não contém seu entusiasmo - "Zack sempre foi louco por quadrinhos; desde pequeno sabia tudo sobre Superman" -, o filho parece dedicar atenção especial ao repórter, que lhe fala de Rodrigo Santoro, com quem o diretor fez 300, baseado na graphic novel de Frank Miller.

Santoro adorou trabalhar com Zack Snyder e o diretor e a mulher retribuem a amizade. Ela fala com simpatia do astro brasileiro. Deborah Snyder é maternal, mas dura na queda. E o curioso é que Zack e ela, durante a gestação do filme, deram à luz um bebê. Zack dá uma curiosa definição de Superman. Diz que ele "é o avô de todos os heróis, e que o Superman de Richard Donner é o avô de todos os filmes de super-heróis" Sem se referir diretamente ao Homem de Aço de Bryan Singer, aponta motivos para o fracasso do blockbuster de 2006. "Ele era muito reverente com a versão de Donner. O próprio Bryan assume que havia muita nostalgia no filme dele. O melhor a fazer neste caso é cortar o vínculo. Nosso Superman é diferente do de Donner, como se ele não existisse para nós."

E como se consegue isso? "Nosso Super-homem na verdade começou com Chris(ttopher) Nolan, que definiu o projeto em suas primeiras etapas, mas o abandonou para voltar ao Batman. Acho que alguma comparação do nosso Superman com o Cavaleiro das Trevas será inevitável, e eu amo a série de Chris. Mas as diferenças são imensas. O personagem, a ficção científica, o jeito de filmar. Você vai ver daqui a dois anos. Nosso Superman é mais otimista, mas de uma maneira que talvez seja um pouco bizarra. Afinal, é o Super-homem. O que sobrou de mais importante na abordagem de Chris Nolan, para mim, foi sua habilidade para levar a sério a mitologia do personagem. Não existe nenhum pedido de desculpas no filme. É o Superman, pelo amor de Deus!"

E Zack Snyder antecipava um aspecto importante, com certeza por influência da mulher e parceira. "Nosso Superman vai ser o mais feminista de todos, e não apenas porque vamos ter uma vilã terrível (Feora, companheira de Zod). A Lois Lane de Amy Adams também vai ser diferente de qualquer outra que você tenha visto." Como se criam cenas espetaculares como essas que o repórter está vendo filmar? Smallville, na ficção, fica próxima de Metrópólis, para onde vai o herói, mais tarde. "Há muita preparação, mas, no limite, você tem de confiar na equipe, e Deborah e eu temos simplesmente os melhores - o coordenador de dublês Damon Caro e Ryan Watson, que coreografa as lutas." Zod, neste dia, é o segredo mais bem guardado da produção, e Zack Snyder nem informa que Michael Shannon faz o papel.

Mas ele não se furta a comentar o que Kevin Costner traz para a figura de Jonathan Kent, o fazendeiro que acolhe o pequeno Kal-El, quando ele chega à Terra - às suas terras -, enviado pelo pai, Jor-El, para fugir à catástrofe cósmica que representa a destruição do planeta Krypton. Russell Crowe substitui Marlon Brando, o Jor-El de Richard Donner. E Kevin Costner? "Kevin é uma lenda americana. Sua persona já é a garantia de que Kal-El (filho das estrelas, no idioma kryptoniano) vai terminar assimilando o que há de melhor e mais nobre na vida da Terra."

Com Jonathan Kent, Kal-El vira Clark Kent, identidade alternativa do Superman. Criado pela dupla Joe Shuster e Jerry Siegel, em 1938, o herói saltou dos comics para o rádio, o cinema, a TV, a literatura e o videogame. Mais do que retornar, o avô de todos os super-heróis se renova. E se você quer saber por que seu nome não está no título do filme de Zack Snyder, leia a entrevista à esquerda.

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