A banda francesa nouvelle vague e o Eletroproust

Para o produtor francês Marc Collin, uma das cabeças falantes do grupo de covers Nouvelle Vague, o roquinho new wave e pós-punk do início dos anos 1980 funciona para a sua geração, quarentona, como uma espécie de "Madeleine de Proust".

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2010 | 00h00

É como ele define esse período de tempo que é a matéria-prima essencial de sua música (associada a uma música dos anos 60, a bossa nova brasileira). Marc Collin falou ao Estado por e-mail.

O Nouvelle Vague toca hoje em São Paulo no Clash Club (em show com ingressos que estão esgotados desde a semana passada), e já marcou data extra na segunda-feira, dia 3 de maio, por conta da grande procura, também no Clash Club. É a segunda apresentação da banda no Brasil (eles estiveram no Sesc Vila Mariana há três anos).

Ainda há entradas para os shows do Rio de Janeiro (30 de abril - Disco Voador), Recife (1.° de maio - Mercado Eufrásio Barbosa) e Belo Horizonte (5 de maio - Palácio das Artes).

Qual o significado dos anos 80 para a música pop, em sua opinião?

Eu e Olivier (Libaux, um dos líderes da banda) éramos adolescentes nos anos 80, e aquela música chegando da Inglaterra e dos Estados Unidos nos tomou totalmente. Nós nos vestíamos como new waves, saíamos com gente que amava o mesmo tipo de música, como qualquer adolescente faz. E nunca deixamos de ouvir e amar aquele gênero musical. Tornou-se nossa raiz musical, nossa principal referência, como nossa Madeleine de Proust. Aí tivemos a ideia de fazer um cover de Love Will Tear Us Apart, do Joy Division, mas em ritmo de bossa nova.

Três anos atrás, vocês tocaram em São Paulo. O que lembram daquele show?

Temos lembranças maravilhosas de nossa última turnê pelo Brasil, de fato é a melhor memória de nossos cinco anos excursionando pelo mundo. E eu juro que não estou dizendo isso só porque você é jornalista. É por esse motivo que estamos voltando e torcendo para encontrar de novo aquela plateia. Desta vez estamos com duas cantoras, a brasileira Karina Zeviani, que também canta no Thievery Corporation, e Helena Noguerra, famosa cantora francesa e atriz, e que se juntou a nós em 2009, e que também fala português muito bem. Nos aguardem!

Um sujeito escreveu para um fórum de fãs da banda dizendo que você e Olivier são sexistas, porque colocam cantoras talentosas nos seus discos e não dão créditos. O que acha disso?

Bem, é claro que as cantoras são creditadas nos álbuns, e nós temos grande orgulho delas. É a particularidade do Nouvelle Vague, cada cantora com quem trabalhamos é escolhida por seu grande carisma, energia e criatividade, e elas trazem sua personalidade ao palco. Isso sempre nos deixa maravilhados, e impressionados pelo talento das meninas. Muitas têm os próprios trabalhos-solo, que realizam muito bem. Então você pode esquecer essa coisa de "produtores franceses sexistas", porque aqui no pequeno mundo do Nouvelle Vague as garotas é que dão as cartas.

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