A bailarina Tatiana Leskova, em livro e documentário

Tatiana Leskova é a grande dama do balé. Aos 83 anos esbanja vigor e energia. Ela foi uma das convidadas a ministrar master class para jovens bailarinas no 24.º Festival de Dança de Joinville. "As meninas já completaram a escola, são boas, mas precisam melhorar, trabalhar sério. A dança é uma arte, assim como o cinema e o teatro, não apenas um passatempo", diz a exigente mestra, que reconhece: "Até mesmo as grandes bailarinas têm seus defeitinhos. Eu sempre vejo de forma crítica e acredito que na próxima apresentação será melhor."Filha de uma família de aristocratas russos expulsos de seu país após a revolução de 17, Tatiana nasceu na França. Enfrentou muitas dificuldades para realizar o sonho de ser bailarina. "Aos 16 anos entrei para os Balé Russo. Com eles dancei em Londres, Nova York, quando atuei com Balanchine e Stravinski." Dona Tania, como é chamada pelos íntimos, também conheceu Massine e Rudolf Nureyev. Parte de sua vida foi registrada no livro Tatiana Leskova - Uma Bailarina Solta no Mundo (Lacerda, 407 págs., R$ 42), de Suzana Braga."Gravamos mais de sete fitas K7, mas não coube tudo no livro. Eu me lembrava de algo, pegava o gravador e registrava. Um exemplo de algo que ficou fora: quando chegamos no Brasil as sapatilhas pareciam tamancos. Usávamos as nossas até acabar. Para não sujar, passávamos verniz e colocávamos no forno. Apenas uma curiosidade." A curiosidade é o segredo da lucidez de Dona Tânia. "É o que me mantém viva. Leio muito, procuro descobrir coisas novas. Sou como uma flor, sem interesses eu feneço. E é esse conselho que eu dou para quem começa: ler."A vida de Tatiana já tomou quatro anos da cineasta Tatiana Junod Valera. "Minhas melhores amigas freqüentavam a academia de Dona Tania, era um sonho entrar lá. Agora posso realizá-lo", diz a cineasta. Ela registra todos os passos da vida e da obra da bailarina e professora. As aulas nas salas de ensaio, o encontro com amigas e muitas imagens de arquivo devem rechear o documentário."Ela é um ícone, uma mulher que atravessou todo o século 20, passou por guerras, largou uma carreira internacional em nome de um amor." Agora a cineasta está na fase de captação de verbas.

Agencia Estado,

02 de agosto de 2006 | 14h37

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