A Bahia de todos os sons e ritmos

Hoje e amanhã, entre o palco e as poltronas do Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, vai se formar um paredão sonoro. E não se trata de alguma banda que se imponha meramente por sua atitude diante do público ou por decibéis elevados. Fala-se de um fenômeno vindo de Salvador, batizado de Orkestra Rumpilezz, que, por aliar o estudo musical meticuloso à pegada e à emoção, relembra a todos desavisados que a música baiana vai muito além dos paraquedistas da indústria de massas do carnaval.

Lucas Nobile, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2010 | 00h00

Com disco homônimo lançado no ano passado, a banda capitaneada pelo maestro Letieres Leite, com 15 instrumentos de sopro e cinco de percussão, chega a São Paulo incensada por elogios de grosso calibre. Os mais rasgados, como os disparados em matéria publicada em fevereiro pelo Estado, "desde os anos 60-70 não se faz um disco instrumental tão denso, tão verdadeiro quanto esse", partem de Ed Motta, que subirá ao palco com a orquestra. Assim como no CD, ele interpretará uma composição de Letieres, Balendoah, além de um tema seu, Aláfia.

O Rumpilezz apresentará os temas de seu álbum, revelando toda a originalidade de Letieres Leite, criador do som mais revolucionário e bonito feito na Bahia desde Dorival Caymmi. "Existe em Salvador a preservação da cultura rítmica baiana fora da academia. Os terreiros são verdadeiras universidades. É nisso que eu me debruço para compor. Existe a influência da matriz africana, de um DNA que está lá", explica Letieres.

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