A autonomia das máquinas na mostra emoção Art.Ficial

Autonomia, da raiz grega, quer dizer aquele que cria suas próprias leis. No caso da nova edição da mostra bienal de arte e tecnologia promovida pelo Itaú Cultural, Emoção Art.ficial 5.0, que se inaugura hoje para o público, está reunido um mostruário de 11 obras com sistemas autônomos em suas regras de atividade (7 trabalhos estrangeiros e 4 brasileiros), o que proporciona uma abertura para possibilidades diversas de interação e, ainda, espaço cada vez maior para a poética.

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

01 Julho 2010 | 00h00

Há, por exemplo, um pequeno zoológico de robôs coloridos e com design moderno enjaulados em redoma de vidro na obra do artista português Leonel Moura, ou ainda máquinas histéricas que se parecem com aranhas metálicas, do canadense Bill Vorn, criadoras de movimentos e sons independentemente do público. Ao mesmo tempo, um organismo cibernético em forma de caracol acionado a partir dos estados emocionais humanos, trabalho da brasileira Tânia Fraga, e, adiante, uma espécie de floresta azul de esculturas com sensores que emitem música quando visitada pelo público, a Bion, dos americanos Adam Brown e Andrew H. Fagg.

Poética. "Existe um preconceito de que as máquinas têm uma programação previsível, mas seus sistemas são tão complexos que os próprios artistas que as criam se surpreendem", diz Marcos Cuzziol, gerente do Itaulab, núcleo de arte e tecnologia da instituição e curador da mostra, sob o título Autonomia Cibernética. "Não se pode prever a poética", completa o engenheiro com mestrado em artes pela USP e desde 1998 a frente do Itaulab.

O conceito de interatividade, tão caro ao nicho tecnológico, se amplia e vai deixando de ser bobo - e as máquinas agora podem interagir até mesmo apenas entre si em alguns casos, deixando ao espectador a contemplação.

Na Avenida Paulista, na calçada de entrada do edifício, por exemplo, estão cinco amoreiras em vasos que têm seus galhos movimentados a partir de sistema acionado pela "poluição sonora" paulistana, captada por microfones.

É o trabalho do grupo brasileiro Poéticas Digitais, liderado por Gilbertto Prado. "Estamos falando de acúmulo nesse quintal imaginário", diz o artista. Assim como o Projeto Amoreiras, as outras três obras brasileiras, todas inéditas, foram produzidas pelo próprio Itaú Cultural a partir de seleção feita por Arlindo Machado e Regina Silveira em edital específico para a mostra.

De interação mais direta com o público na exposição é possível citar o Autoportrait, do grupo alemão Robotlab (leia mais no quadro); Prosthetic Head, do australiano Stelarc, em que a cabeça projetada do artista em uma sala responde a perguntas feitas em inglês digitadas pelos visitantes; e a instalação brasileira Ballet Digitallique, de Lali Krotoszynski, em que número de dança virtual ocorre a partir da captura da silhueta dos espectadores. Há, ainda, espaço para reflexão, com a realização de um simpósio sobre o tema da mostra, a partir de hoje, 19 h, e até sábado, na Sala Itaú Cultural.

EMOÇÃO ART.FICIAL 5.0 - AUTONOMIA CIBERNÉTICA

Itaú Cultural. Avenida Paulista, 149, 2168-1776. 9h/ 20h (sáb., dom. e feriado, 11 h/ 20 h; fecha 2ª). Até 5/9.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.