A atriz de Chanel e o drama que escolheu

 

, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2010 | 00h00

Isabelle Adjani. É a 'prof' que decide pegar em armas contra os alunos. Foto: Divulgação

 

 Anna Mouglalis, que faz Coco Chanel no filme de Jan Kounen, foi escolhida em 2003 por Karl Lagerfeld para ser o rosto da marca. Com o tempo, ela se tornou uma especialista sobre a famosa estilista. Com a segurança de quem sabe tudo sobre o assunto, Anna diz que a obra-prima de Chanel não foi o tailleur, com o qual ela mudou a silhueta feminina, nem o célebre perfume n.º 5, mas a sua vida. "Ela construiu um império para poder ser uma mulher independente." Anna é bela e tem a voz mais sexy do mundo. Ela escolheu um dos filmes que integram o Festival Varilux. Fez questão de apresentar O Dia da Saia , de Jean-Paul Lilienfeld, para os cariocas.

É o único dos dez filmes que não tem distribuição, mas também não é inédito. La Journée de la Jupe, título original, já foi exibido na TV, no Eurochannel. Na época, o diretor deu entrevista ao Estado, dizendo que conseguir a atriz Isabelle Adjani para o papel da professora que pega em armas contra os alunos foi mais fácil do que imaginava. Ela leu o roteiro e imediatamente disse sim. "Quando discutimos a personagem, Isabelle nunca impôs condições nem se preocupou com sua imagem. Fez tudo o que pedi, mas o que preciso acrescentar é que fez sempre melhor, e de forma mais surpreendente do que esperava."

Adjani, a Rainha Margot, foi uma das mulheres mais belas do mundo. Como Elizabeth Taylor em Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, ela perdeu a forma para servir à personagem. A "prof" usa um tailleur branco, mero detalhe. O que apaixona Anna Mouglalis no filme - e a fez incluí-lo na seleção - é a tensão crescente do relato. Como Anna diz, a tensão "não é demonstrativa, não obedece a clichês." Vira uma experiência visceral e é assim que ela encara O Dia da Saia .

No catálogo do Festival Varilux, o texto sobre o diretor Lilienfeld define seu cinema como "engajado e revoltado", mas também assinala o "olhar humanista" do cineasta. O Dia da Saia se inscreve na vertente realista de filmes que estão colocando a realidade - e as tensões sociais - da França na tela. Welcome, de Philippe Lioret; Entre os Muros da Escola, de Laurent Cantet, todos percorrendo uma vertente que começou com Mathieu Kassovitz e O Ódio, em 1995. Ainda no catálogo, uma citação de Figaroscope diz - "Isabelle Adjani reencontra um papel à altura do seu talento, como a professora desesperada e exasperada." É emocionante. Por Luiz Carlos Merten

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