A arte reflete sobre mudanças de comportamento

Crítica

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2010 | 00h00

Temas como aborto e o casamento gay têm estado em debate na disputa presidencial brasileira. A união civil entre iguais é um assunto polêmico. Lisa Cholodenko, na entrevista acima, deixa claro que o conceito de família mudou, ou está mudando, e o cinema tem de acompanhar as mudanças.

Pedro Almodóvar já havia antecipado um pouco essas mudanças em Tudo Sobre Minha Mãe, por meio da freirinha que tinha o filho com o travesti. A Mostra, na sua diversidade, incorpora o debate. O filme brasileiro Elvis e Madona, de Marcelo Lafite, conta a história de garota lésbica que tem um filho com travesti. Surpreendentemente, o longa tem sido acusado de machismo, mas ninguém se atreve a contestar que Simone Spoladori (Elvis) e Igor Cotrim (Madona) estão ótimos nos papéis.

Lisa Cholodenko é escritora e diretora. Tem trabalhado muito para TV. O formato de comédia dramática de Minhas Mães e Meu Pai beneficia-se das inovações introduzidas por séries como Friends e Sex and the City (menos a frivolidade). Fala-se francamente de sexo, hoje em dia, na ficção televisiva. O cinema incorpora essa honestidade.

Pode ser que algum crítico venha a considerar Minhas Mães e Meu Pai "televisivo", ou uma sitcom ampliada para cinema. Lisa não inova, é certo, mas ela deve ter-se dado conta de que seu tema já era forte e a melhor coisa a fazer era servi-lo e não servir-se dele para mostrar quão boa diretora é. A história humana, a excelência das interpretações. É cinema, e é bom.

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