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A arte radical da sobrevivência

127 Horas relata o caso real do aventureiro que ficou preso numa fenda de rocha

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2011 | 00h00

Um ato de radical individualismo, pintado com as cores fortes que Danny Boyle (de Quem Quer Ser Um Milionário?) imprime em seus filmes: tais são as atrações de 127 Horas.

Para quem não conhece a história, o título pode ser intrigante. Refere-se ao número de horas que um aventureiro solitário passou com o braço preso numa rocha, sozinho no deserto; lutando contra a sede, a dor e a inanição, e tendo a seu favor apenas uma férrea vontade de viver.

A história é real e aconteceu com o jovem Aron Ralston, no filme interpretado pelo intenso James Franco. Adepto de esportes radicais, o jovem sai de casa numa sexta-feira, dirige sua pick up a noite inteira em direção a um cânion. Lá chegando, pedala durante horas e prossegue a jornada a pé. Encontra-se com duas garotas e, durante algum tempo, exploram juntos os encantos do lugar. Logo em seguida, separam-se. Ralston prossegue sozinho, até cair numa fenda da rocha e ficar preso.

 

 

Vídeo trailer

Veja trailer com cenas do filme 127 Horas 

 

 

Ao mostrar uma situação dessas, as opções cinematográficas se reduzem. Manter o foco sobre o personagem e investir no aspecto claustrofóbico e desesperador da situação? Ou explorar o que se passa pela mente de quem se encontra preso na armadilha?

Entende-se por que Boyle resolveu incluir os devaneios e alucinações da vítima entre as imagens mostradas. Primeiro, porque construir um filme inteiro com cenas unicamente tomadas na fenda da rocha seria muito limitante. Talvez insuportavelmente doloroso para o espectador médio. Segundo, porque é mesmo provável que uma pessoa naquela situação apele para fantasias compensatórias como forma de manter um mínimo de equilíbrio mental.

Sanidade. E o que se tem no personagem é prova de sanidade impressionante e determinação moral inquebrantável. De que outra forma seria pensável o ato extremo que leva a cabo, o único e radical ato capaz de lhe salvar a vida? Essa sequência é mostrada com toda a crueza, mas, ao mesmo tempo, sem qualquer sensacionalismo. Bom, afinal de contas.

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