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'A arte ocidental foi salva por muitas pessoas comuns'

Autor do livro que inspirou o longa de George Clooney, Robert Edsel diz que ideia de investigar a história surgiu por acaso

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2014 | 02h11

Assim como milhares de obras-primas teriam se perdido se não houvesse homens como Os Caçadores de Obras-primas, a história desses soldados talvez tivesse se perdido ao longo das décadas se não fosse Robert Edsel.

É ele o autor de Caçadores de Obras-primas - Salvando a Arte Ocidental da Pilhagem (Ed. Rocco, 368 págs., R$ 39,50), livro que inspirou George Clooney a dirigir o filme homônimo (em inglês, Monument's Men).

E, assim como os autores do filme, foi questionado pela imprensa que conversou com ele sobre a validade de se arriscar a vida para salvar quadros, esculturas e outras obras no maior conflito já ocorrido. "A melhor resposta para esta questão vem dos próprios Caçadores. E cito aqui a de um oficial que lutou na Itália. Ele disse que obra de arte nenhuma vale a vida de um único garoto. Mas que arriscar sua vida por lutar por um ideal vale qualquer esforço", declarou o autor, que acaba de escrever o livro Saving Italy(Salvando a Itália). "A gente tem que pensar no contexto. Os Caçadores foram muito além da ideia glamourosa que temos de um bando de soldados invadindo um prédio em chamas para salvar uma pintura de Da Vinci. Não, isso não vale nada. Mas a ideia de lutar por democracia, por algo em que acreditamos, inclusive pela propriedade intelectual ou um modo de vida, isso sim vale qualquer esforço."

Edsel é por si próprio uma espécie de Caçador de Obras-Primas. Texano, nascido em 1956, ele, que tinha uma carreira estável na indústria de energia, se apaixonou de tal forma pela arte e por monumentos, em especial pelos que tinham sobrevivido à destruição da Segunda Guerra, que decidiu, em 1996, vender tudo e se mudar para Florença. Foi assim que chegou aos homens que salvaram milhares das obras roubadas pelos nazistas e que acabou escrevendo seu primeiro livro, Rescuing Da Vinci (Resgatando Da Vinci). "Eu, que comecei a estudar arquitetura, um dia estava andando por Florença e pensei em como um dos mais sangrentos conflitos do mundo não tinha sido capaz de destruir um legado imensurável da humanidade", contou ele. "Não fiquei com vergonha por não saber a resposta, mas por nunca ter feito esta pergunta. Comecei a perguntar a amigos e ninguém sabia. Então fui atrás da resposta. E descobri que foi por causa de milhares de homens e mulheres comuns que peças únicas foram salvas."

"Sabia que a Última Ceia, de Da Vinci (que está no convento de Santa Maria delle Grazie em Milão), foi quase destruída por bombas jogadas pelos aliados britânicos, que tentavam forçar a Itália a sair da guerra?", questiona. "A única razão milagrosa por que a parede do convento não caiu com as bombas, despejadas a poucos metros dela, foi pelo fato de que moradores de Milão colocaram sacos de areia ao pé da parede, 'só por garantia'. Não fosse por uma medida tão simples, hoje estaríamos vendo essa obra-prima só nos livros de história", contou Edsel, que também criou a Fundação Monuments Men.

Uma das maiores autoridades no assunto, Edsel esbanja paixão incansável pela arte de lutar pela arte. "Fico feliz que George Clooney tenha transformado a história em filme. Mais gente vai descobri-la. Mais do que se tratar de arte europeia, judia enfim, o que importa é proteger a própria história da humanidade."

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