A arte em seu melhor papel

A exposição O Papel da Arte, que o Museu de Arte Contemporânea (MAC) de São Paulo inaugura segunda-feira na Galeria do Sesi, derruba por terra a falsa afirmação de que as obras de arte que têm o papel como suporte pertencem a uma categoria inferior. Reunindo mais de 200 obras, assinadas por grandes mestres da arte brasileira e internacional, a mostra revela as vastas possibilidades de criação usando o papel como matéria-prima. A idéia condutora da mostra não é a de privilegiar determinados estilos, artistas ou temas. Nem mesmo a de contar cronologicamente a história da produção moderna e contemporânea sobre papel. Mas a de dar ao espectador a possibilidade de ver um leque amplo de poéticas, colocando o desenho, a gravura, a aquarela e outras formas de expressão mais experimentais lado a lado. ?Toda escolha curatorial não passa de uma forçada de mão?, reconheceu o diretor do MAC, José Teixeira Coelho, em entrevista coletiva realizada na sexta-feira. Não é a toa que a exposição, que começa cronologicamente com mestres do calibre de Picasso ou Chagall (no campo internacional) e Lasar Segall, Goeldi, e Lívio Abramo (no que se refere à produção brasileira), se encerra com instalações contemporâneas, como Transitório, uma sombra de Regina Silveira que ocupa a vitrine da galeria. Cabe, portanto, ao visitante descobrir em meio às duas centenas de obras aquelas mais interessantes. Algumas delas são conhecidas dos freqüentadores das mostras do MAC, como a bela Personagem Atirando uma Pedra num Pássaro, de Juan Miró. Outras são descobertas fascinantes, como as sutis construções de Lívio Abramo que abrem a exposição ao lado de Goeldi, outro mestre da gravura nacional. Há também obras que surpreendem, que pretendem provocar o espectador, como a série de litografias em que o argentino Léon Ferrari associa a riqueza do desenho de um Dürer ao imaginário erótico oriental, colocando por exemplo uma cena de sexo explícito tirada de uma gravura japonesa embaixo da mesa da Santa Ceia. Se alguns artistas estão em seu meio mais do que natural trabalhando com papel, como Renina Katz, é possível descobrir na exposição algumas experiências bem-sucedidas de artistas costumeiramente associados com outras linguagens no uso dessa matéria-prima. O irreverente Nelson Leirner abandonou as apropriações irônicas para construir um belo e impressionante jardim de flores desenhadas com grafite na forma de um painel de 48 imagens. Não deve ter sido tarefa fácil selecionar essas obras em um conjunto de mais de 4,5 mil trabalhos sobre papel que existem no acervo. E tampouco é simples montar a exposição, já que um dos poucos defeitos da obra em papel é que ela deve ser exposta com muito pouca luminosidade. A sala não deve ter mais de 50 lux, o que é quase nada se pensarmos que em uma medição recentente verificou-se que a Avenida Paulista ao meio-dia tinha uma luminosidade de 15 mil lux. ?A exposição ficará meio na penumbra, mas nós buscamos diminuir ao máximo o incomodo provocado por essa situação?, explica o arquiteto do MAC, Gabriel Borba. O Papel da Arte e Disciplinando Soulages - De terça a domingo, das 9 às 19 horas. Centro Cultural Fiesp. Avenida Paulista, 1.313, tel. 253-5877). Até 28/01. Abertura, dia 25/9, às 19 horas para convidados

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