A arte em caixinhas de Jeanete Musatti

Quadradas ou redondas, as caixinhasque a artista Jeanete Musatti apresenta a partir desta terça-feira,na Galeria Nara Roesler, são "visões e antevisões desituações", ou ainda, "pequenas lentes como as de um óculos",como ela mesma explica. Dentro das caixinhas de plástico,"micromundos" - expressão do crítico Casimiro Xavier deMendonça - compostos pela associação de miniaturas, pedras, asasturquesas de borboletas, folhas de ouro, palitos de fósforo,bonequinhos minúsculos produzidos na Alemanha especialmente paramaquetes e tantos outros objetos. "Tenho um almoxarifado de recolhimento de coisas queutilizo desde o fim dos anos 70", diz Jeanete. Nessa época, ascaixas eram maiores, de madeira, mas, mesmo assim, eram"construções simbólicas" - mais uma vez uma expressão deMendonça. A escala foi diminuindo com o tempo. As caixas setornaram mais sintéticas, menores, detalhistas, mas, mesmo assim repletas de poesia. Dispostas em linha reta, as caixinhasformam narrativas, seja sobre o mundo particular da artista,seja um comentário sobre a história e algumas nações do mundo,ou mesmo, "vestígios de situações". "Uma contadora linear deuma poesia visual", como define Jeanete. As menores caixinhas dessa atual exposição forammostradas em 2000 no Art Museum of the Americas, em Washington.Redondas, com 4,2 cm de diâmetro, cada uma das nove séries sãonarrativas para serem vistas da esquerda para a direita. Das nove séries, cinco são sobre nações. Brasil,Alemanha, Japão, América do Norte e Afeganistão. "Tudo setornou mais claro depois de setembro de 2001", diz a artista.Ela fez esse comentário porque entre as caixinhas da sérieAmérica, uma traz uma miniatura de árabe imersa em um fundonegro e, ainda, outra série trata das mulheres do Afeganistão,enfim as duas nações envolvidas no atentado terrorista queocorreu no ano passado. E além das nações, há a série Stop RunAfter Unusual Modern Style, "pare de correr atrás de umestilo inusitado" é uma crítica e também uma homenagem a algunsartista que Jeanete admira como Duchamp e Man Ray. Ainda há umareferência a O Pensador, de Rodin - uma das caixinhas contémuma miniatura dessa famosa escultura. A artista finaliza a sériecom seu auto-retrato. Além dessas séries redondas, há outra com 120 caixinhasquadradas que é a mais importante para a artista além de ser suaobra mais recente. Sem título, cada composição é independente,mas como escreve no texto do catálogo o psicanalista RobertoGambini, cada caixinha guarda "pequenas preciosidades", são"protéculas de retratos da alma".Serviço - Jeanete Musatti. De segunda a sexta, das 10 às 19horas; sábado, das 11 às 15 horas. Galeria Nara Roesler. AvenidaEuropa, 655, São Paulo, tel. 3063-2344. Até 12/3.

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