A arte do italiano Lucio Fontana, no Rio

A arte contemporânea italiana chega ao Rio esta semana. O Centro Cultural Banco do Brasil abre hoje, e terça para o público, a mostra Lucio Fontana - A Ótica do Invisível, com 70 obras, telas, instalações e esculturas, desse milanês que mudou os conceitos de arte logo após a 2.ª Guerra Mundial. "Ele foi o primeiro artista a trabalhar o ambiente, a usar luz e a romper a barreira entre escultura e pintura", diz a presidente da Fundação Lucio Fontana, Nini Laurini, que veio de Milão para montar a exposição. "Iniciou uma ruptura que, até hoje, influencia a arte em todo o mundo."Laurini contou que já houve outros convites para expor a obra de Lucio Fontana no Brasil, especialmente em 1999, quando se completou o centenário do artista; e Buenos Aires, cidade onde ele nasceu e viveu nos anos da 2.ª Guerra Mundial (1922-1945), recebeu uma grande retrospectiva. "Só a proposta do CCBB foi conveniente por causa da disponibilidade das obras da segurança do espaço e da oportunidade de mostrar ao Brasil o seu trabalho", ressalta Laurini. A diretora de artes visuais da instituição, Martha Pagy, lembra que não é coincidência a exposição de Fontana suceder o surrealismo. "Nossos eventos sempre dialogam entre si. Queremos mostrar o que resultou da revolução do surrealismo no pós-guerra", explica Martha.As obras trazidas ao Rio (e que serão levadas a São Paulo, em fevereiro, e a Brasília, em abril, sempre nos CCBBs) foram escolhidas de acordo com a disponibilidade da Fundação Lucio Fontana, e por Laurini e pelo curador brasileiro Paulo Herkenhoff. "É uma exposição antológica, no sentido de dar uma idéia global da obra de Fontana e de seu desenvolvimento cronológico", adianta a secretária-geral da Fundação, Valeria Ernesti, que acompanha Laurini. "Depois, o Herkenhoff teve a idéia de fazer uma comparação com a arte contemporânea brasileira, mostrando 31 obras de 22 artistas locais, com peças de Fontana."Para Herkenhoff, não há vestígios aparentes dessa influência. "O ponto de partida é observar os paralelos entre o desejo de espaço por Lucio Fontana e as preocupações similares na arte brasileira", ensina o curador. Ele selecionou nomes tão variados como Adriana Varejão e Franz Weissman, Lygia Pape, Lygia Clark e Hélio Oiticica, Ernesto Neto e Mira Schendel.O público terá contato com a exposição logo na entrada do CCBB, onde estará montada a instalação Ambiente Spacziale e Luce Nera, de 1948, sua primeira tentativa de misturar três dimensões. Trata-se de um labirinto em branco, no qual explora volumes com luz negra. No alto da rotunda, será montada a instalação Estrutura em Neon para a 9.ª Trienal de Milão. Haverá ainda esculturas figurativas, feitas ainda na Argentina, e telas trabalhadas com furos e cortes, de seu período italiano.

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