A arte de costurar pedras de Ana Linneman

Após ter passado alguns meses fechado para reformas, o Gabinete de Arte Raquel Arnaud reabre suas portas amanhã, mostrando o forte e insólito trabalho de Ana Linneman. A artista carioca, radicada há dez anos em Nova York, literalmente borda e veste pedras. Seu ponto de partida não é o desejo de explorar a potente carga simbólica do ato de unir pedras por meio de um processo frágil como a costura, mas a vontade de aproximar duas situações distantes e ajustá-las formalmente.Mesmo reconhecendo que realiza uma operação tipicamente surrealista e que seus materiais têm uma forte carga simbólica, Ana considera que vem do minimalismo sua principal fonte de inspiração. "Não uso o bordado como referência feminina; não parto do princípio de que pedra não se borda; nem de que agulha fere", diz ela, confirmando na prática que a grande graça da arte é aquilo que surge de forma não-intencional e, às vezes, até inconscientemente. "Ela vai dizendo coisas que você não sabe", reconhece.Na série das pedras vestidas fica ainda mais evidente esse desejo de suavizar qualquer teor narrativo, apelo dramático ou tentativa de sedução estética. As pedras têm sempre formas geométricas simples e os vazios entre elas, evidenciados pelos tecidos, são vitais para criar o que Ana define como "modernismo mundano". Ela também eliminou a cor, trabalhando apenas com branco, cinza e preto. "Eu não gosto de gritos, eu gosto de sussurros; gosto que o trabalho chegue devagar", acrescenta.Ana Linnemann. De segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 14 horas. Gabinete de Arte Raquel Arnaud. Rua Artur de Azevedo, 401, tel. 883-6322. Até 23/9. Abertura, quarta, às 20h

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