K. C. Bailey/Divulgação
K. C. Bailey/Divulgação

A arte de atuar e dirigir

Em 'Vejo Você no Próximo Verão', Philip Seymour Hoffman estreia como diretor

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2011 | 00h00

Depois de 54 filmes, outras tantas dezenas de peças, três filhos, um casamento e muitos festivais, Philip Seymour Hoffman estava finalmente preparado para dirigir seu primeiro longa-metragem. Apaixonado por teatro, escolheu para a estreia um híbrido. Baseado na peça homônima que encenou por meses na Broadway, Vejo Você no Próximo Verão é uma comedia romântica nada óbvia. Conta a história de Jack (Hoffman), motorista de limusines nova-iorquino cujo melhor amigo Clyde (John Ortiz) o apresenta a Connie (Amy Ryan). Confiante que este é o momento de começar um relacionamento para valer, Jack vai investir em Connie, encarando diferentes desafios. Para "dar a Connie o que ela espera de um homem", o paciente Jack vai aprender não só a nadar e cozinhar: para um relacionamento funcionar é preciso muito mais que só amor.

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No Festival de Cinema de Marrakesh, no qual o filme competiu, Hoffman conversou com o Estado sobre cinema, teatro, e sobre a difícil mas recompensadora arte de "fazer um amor dar certo".

Por que a peça te fez sentir que era possível tornar um filme?

A peça está fazendo sucesso há tanto tempo em Nova York e as pessoas falam sempre de como era cinematográfica. Várias cenas do filme estavam no palco, como a da piscina, a neve, a cena final no barco no meio do Central Park... Mas a gente simplesmente atuava e não pensava sério sobre isso. Não dirigi a peça. Só atuei. Até que os produtores acharam que daria um bom filme. Foram eles quem nos convidaram.

O que encantou os produtores? Talvez o fato de ser uma história de amor não convencional?

Acho que sim. Na verdade, é de fato uma história de amor não convencional porque traz exatamente "pessoas convencionais" como protagonistas. E em vez de uma receita mágica, o que se vê é um amor, fruto de muita vontade de acontecer, de ter paciência, de respeitar o tempo do outro, de mudar (o que é possível mudar) pelo outro. É isso o que mais gosto na história.

Como surgiu a ideia de dirigir o filme?

Foi John Ortiz (que faz o Clyde) quem sugeriu, pois dirijo a companhia de teatro há dez anos, e isso ocupa grande parte do que faço atualmente. Nunca havia pensado nisso, mas gostei da ideia. Pedi umas semanas para pensar. Consegui ver o filme acontecendo. E aceitei. Mas não queria atuar no filme. Só que foi muito difícil encontrar um ator que fizesse meu papel porque íamos filmar em um período muito curto e em pleno inverno. Acabei atuando também.

Você tem um papel triplo no projeto, pois também é produtor executivo.

Sim. Tenho uma produtora e estou acostumado a produzir outros projetos. Mas, quando se é só diretor, acaba-se sendo uma espécie de produtor executivo também. A gente tem que tomar decisões em conjunto com os produtores do filme, saber como o orçamento do filme está sendo gasto. Então, foi até natural.

Foi difícil atuar assim?

Boa pergunta. Foi o mais difícil. Porque o ofício de ator é um tanto egoísta e egocêntrico, de uma forma positiva eu diria. O ator tem que tomar conta de si, fazer por si e não se preocupar com os outros. Já como diretor, é o oposto. A gente tem que se preocupar com todos. Muito da obrigação de um diretor é um trabalho social. É facilitar o trabalho dos outros.

Veja trailer de Vejo Você no Próximo Verão:

 

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