A arte de Ana Magalhães em dose dupla

Ana Magalhães realiza duas exposições simultâneas na cidade. Uma começou na quinta, a mostra Parusia - Plenitude, no Museu Brasileiro de Escultura (MuBE), e outra foi inaugurada ontem, Trilha, na Galeria Arte Aplicada. Angolana, mas radicada no Brasil, Ana buscou em seu trabalho associar uma investigação acerca de suas raízes africanas a pesquisas contemporâneas de exploração de diversas mídias.Os materiais e os suportes usados nessa dupla exibição - ambas com curadoria de Sabina de Libman - são os mais diversos. Terra, raízes, tocos de madeira associam-se a dejetos típicos do mundo moderno, como CDs, garrafas de plástico, etc. Também há em seus trabalhos uma mistura de linguagens, que vão desde a efêmera escultura de terra, que recebe o visitante no MuBE simbolizando, como escreve Tereza de Arruda no texto do catálogo, o "início e fim da humanidade", até imagens de vídeo que reafirmam esse desejo de reatar com as origens. Ana também lança mão de outros elementos para criar uma atmosfera especial no espaço, como a música composta pelo grupo Uakti.Segundo Tereza de Arruda, as cápsulas - objetos suspensos, pictóricos e escultóricos, que simbolizariam uma espécie de renascimento (como indica a inclusão no título da mostra do termo parusia, uma referência à reencarnação de Jesus na hora do juízo final) - funcionam como uma espécie de metáfora da própria evolução artística de Ana Magalhães.Ana Magalhães. Em dois endereços da cidade: De terça a domingo, das 10 às 19 horas. MuBE. Avenida Europa, 218, tel. 3081-8611. Até 7/7 De segunda a sexta, das 10 às 19 horas; sábado, das 10 às 14 horas. Galeria Arte Aplicada. Rua Haddock Lobo, 1.406, tel. 3064-4725. Até 22/6.

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