A arte com registros de tempo e de espaço

Aonde quer que vá, o artista plástico goiano Marcelo Solá leva consigo um caderninho de anotações. Página após página, rabisca desenhos, registra aforismos, versos e palavras que lhe vêm à cabeça na fila do banco, na sala do cinema, em conversas com os amigos. Pela primeira vez com uma exposição individual no Rio, na galeria da Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, Solá mostra 20 trabalhos que deixam claro que, para ele, "desenhar é algo muito próximo de escrever".

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2010 | 00h00

"Meu desenho é uma espécie de caligrafia. O ponto de partida é sempre uma observação qualquer, pode ser algo escrito, desenhado, os dois ao mesmo tempo. As pessoas não têm tido tempo de perceber poesias no dia a dia, mas eu passo 24 horas dedicado a isso", explica Solá, um artista autodidata, grafiteiro na adolescência, cujo traço começou a aparecer no início dos anos 90. Para ele, "um caderno de desenho é sempre motivo para criar alguma coisa".

Solá tinha 18 anos quando trocou Goiânia por São Paulo. Estudou com artistas como Carlos Fajardo, Marco Giannotti e José Spaniol. Dois anos depois, desencantado com a metrópole, voltou para sua cidade, a qual gosta de contemplar do 13.º andar de um prédio do centro, onde vive.

Em 2002, participou da Bienal de São Paulo com um mural. No Rio, a última coletiva em que esteve foi um ano e meio atrás ? a panorâmica Nova Arte Nova, no Centro Cultural Banco do Brasil, que reuniu a "nova geração" de artistas brasileiros.

Hoje, de Goiânia ele só sai para viagens de trabalho. Sua arte já andou por Buenos Aires, Madri e Nova York.

Solá gosta de misturar tudo, a palavra, as formas inspiradas na arquitetura que vê nas ruas, nas peças publicitárias. Como fazem as máquinas fotográficas digitais, registra datas e horários em algumas obras. É uma forma de deixar a marca do processo de composição da obra. Numa parede da Laura Alvim, em que desenhou/escreveu, está lá gravado quanto tempo levou para cobri-la. "Tenho obsessão pelo registro de tempo e de espaço."

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