A árdua rotina dos bailarinos

A dança é linguagem abstrata. Capaz de construir mundos, disseminar ideias, refletir sobre o que somos, sem se valer de uma só palavra. Talvez seja justamente por isso que, ao conceber um documentário sobre a São Paulo Cia. de Dança., o cineasta Evaldo Mocarzel tenha decidido prescindir do discurso.

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h22

No filme, que entra em cartaz hoje, Mocarzel não recorre a entrevistas - instrumento usual para documentaristas. Toda a palavra que surge ao longo dos 71 minutos da obra é acidental, circunstancial. Câmeras e microfones estão direcionados a captar a árdua rotina dos bailarinos: ensaios intermináveis, aulas, as inquietações diante dos erros, a felicidade de encontrar as possibilidades do corpo. Além de flagrar a intensidade com a qual se doam durante esse percurso.

Toda a narrativa que perpassa a criação apoia-se em Polígono, de Alessio Silvestrin. Primeira criação coreográfica do grupo, a peça é decomposta em suas muitas etapas de produção. Desde o momento de familiarização dos intérpretes com sua proposta até o momento de sua apresentação final.

A maior parte dos recursos para a realização do filme veio dos cofres estaduais: um patrocínio de cerca de R$ 75 mil, da Sabesp. Criada em 2008, a São Paulo Cia. de Dança é financiada pelo governo do Estado de São Paulo.

Ao abdicar do verbo, Mocarzel também se lança em um território que não é comandado pela lógica linear. O caminho percorrido desde a sala de ensaio até a apresentação diante do público não tem um sentido evolutivo. Não se parte necessariamente do menor para o maior, do que nasce imperfeito para um resultado pleno de significado e livre de falhas.

O processo de criação artística se dá entre tropeços e alumbramentos. Iluminações que, neste caso, partem do corpo. Closes em braços, pernas, pés, ombros. Mecanismos de construção da beleza, mas também os limites a serem transcendidos.

Em seu trabalho, o diretor adquiriu expertise em captar "outras artes". Em 2009, os projetos BR-3 A Peça e BR-3 Documentário detinham-se sobre o espetáculo do Teatro da Vertigem. Realizou ainda uma série de documentários cênicos: títulos que que o Itaú Cultural apresenta a partir do dia 28.

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