A animação que mudou tudo

Alan Menken fala de a Bela a Fera, que voltam a dançar no computador, comemorando 20 anos do cult da Disney

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2010 | 00h00

Foi em 1991, há quase 20 anos, que a Bela e a Fera dançaram no computador. A animação da Disney - direção de Gary Trousdale e Kirk Wise - carrega a fama de ter sido o desenho que consolidou o uso da computação gráfica. Ao longo destas duas décadas prodigiosas, empresas como a Pixar fizeram história ao se afastar da animação tradicional. É verdade que a Pixar/Disney fez no ano passado, um pouco para matar a saudade, A Princesa e o Sapo, de outra dupla, Ron Clemens e John Musker, mas isso não elimina o marco que foi A Bela e a Fera.

O filme, fora de catálogo há anos, está sendo (re)lançado num DVD de colecionador, cheio de extras. É uma boa oportunidade para se conversar, por telefone, com Alan Menken, compositor recordista de Oscars. São nada menos do que oito, mas quando ele ganhou dois por The Beauty and the Beast - melhor partitura e canção -, na verdade estava somando esses troféus aos outros dois que ganhara, nas mesmas categorias, por A Pequena Sereia.

O que você faz com tantos Oscars? Eles estão na estante ou no cofre?

O cofre seria uma boa ideia, porque, do ponto de vista da indústria, o reconhecimento do Oscar equivale a dinheiro. Mas a satisfação de vencer tantos prêmios tem outro significado, mais profundo. Se você acredita no que faz, e tem prazer, quer compartilhar o prazer com os outros. Sucesso de público, de crítica, prêmios, tudo isso massageia o ego, mas também mostra que há sintonia com o que você faz. A propósito, os Oscars estão todos na estante. No meu escritório.

Que lembrança você tem e A Bela e a Fera?

Já havia feito A Pequena Sereia na Disney, mas no próprio estúdio havia a convicção de que fazíamos algo novo. Eu tinha 42 anos, ainda podia ser considerado um jovem compositor.

Sua primeira trilha foi em 1982, A Pequena Loja dos Horrores.

Fiz a trilha do musical da Broadway adaptado do filme cult de Roger Corman, dos anos 1960. O remake (de Frank Oz) foi feito em 1986. Creio que a maior importância de A Pequena Loja, para mim, foi ter me aproximado de Howard Ashman. Fomos indicados para o Oscar de canção por Mean Green Mother from Outer Space, nossa primeira indicação. Ganhamos depois por A Pequena Sereia e A Bela e a Fera. Um compositor não trabalha sozinho. É uma parceria que combina letra, música, orquestra. Tive outros parceiros incríveis, como Tim Rice, Stephen Schwartz. Ganhei o Oscar com todos eles.

O fato de A Bela e a Fera ter sido feito no computador mudou alguma coisa no seu processo?

Você quer dizer - na composição? Para entender como trabalhamos, é bom saber que a música é feita antes. Por exemplo, Belle e Be Our Guest, as duas canções mais famosas de A Bela e a Fera. A gente compõe, os diretores e o estúdio aprovam e os animadores trabalham em cima de nossa criação.

Então não há diferença, se a animação é computadorizada?

Não é isso que estou dizendo. A música para animação, seja tradicional ou computadorizada, precede o desenho. Mas o computador mudou tudo. Hoje você fica online no estúdio com seu parceiro e com os executivos do estúdio, os diretores. O processo ficou muito mais dinâmico. Antes você compunha, gravava, enviava para aprovação, recebia de volta para os ajustes. Agora é tudo mais rápido, e não é só o tempo. Alterar o som, mixar. Toda a indústria fonográfica passou por essa revolução. Até a pirataria ficou mais fácil.

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