A Amazônia vista do chão, por Pedro Martinelli

Há 30 anos, quando ia de avião para Manaus, o então fotógrafo jornalístico Pedro Martinelli adquiriu o hábito de cronometrar quanto tempo se passava entre o último resquício de casa e roça e os sinais de proximidade da capital amazonense. O percurso de uma hora e 40 minutos, naquela época, reduziu-se quase pela metade hoje. "Perdemos uma hora, de Boeing a 900 km/h, em linha reta", alerta Martinelli, que há décadas se dedica a registrar de perto as belezas e tragédias da região, que é destruída pelo descaso e ambição do homem, substituindo o olhar frio dos satélites e as análises feitas em escritórios confortáveis por longas caminhadas mato adentro, na tentativa de mostrar de perto como vive o homem do mato, o índio e o caboclo."O olhar sobre a Amazônia não deve resumir-se apenas à beleza natural dos bichos e da floresta. A foto, para mim, é suporte para atacar essa desgraça que acompanho há décadas", diz tentando explicar por que retorna, constantemente e obsessivamente, ao mesmo tema, mesmo que por enfoques e ângulos distintos. O mais novo resultado desse processo é o livro "Mulheres da Amazônia", que ele lança na noite desta segunda-feira no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo.A obra, que também marca o nascimento de um novo selo editorial, o Jaraqui - que criou para conseguir lançar os trabalhos num ritmo próprio, sem ter de buscar novos parceiros a cada título, e a um custo um pouco mais acessível (para isso, Martinelli também fechou um contato de exclusividade com a livraria Fnac) - tem a mulher como tema. Mas não de maneira sexista ou paternalista. É a partir delas que o fotógrafo enfoca questões que julga essenciais para a compreensão desse universo tão distante, mesmo sendo um dos pilares fundamentais de nossa cultura. "São nossa essência de brasileiros, de pé no chão", afirma, explicando que mostrar costumes, arquitetura, moda e beleza foi o jeito de ser mais didático.Serviço "Mulheres da Amazônia". De Pedro Martinelli. Reúne 300 imagens. Editora Jaraqui, 176 páginas, 80 reais. Lançamento nesta segunda-feira, às 19h30. Museu da Casa Brasileira. Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2.705, tel. (0xx11) 3032-3727.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.