A Amazônia e suas mulheres, documentadas em 176 páginas

Fotos de Pedro Martinelli detalham a região e seu lado feminino. E mais: o terceiro volume de Elio Gaspari sobre a ditadura militar, histórias saborosas sobre o Rio de Janeiro, o cotidiano brasileiro em um livro ilustrado para crianças, a trajetória da família Kennedy...UM DESFILE DE MULHERES DA AMAZÔNIA, NAS LENTES DE PEDRO MARTINELLI.Esta é uma história de amor que começou nos primeiros meses dos anos 70. Mais exatamente em 1971. O jornalista Pedro Martinelli, então fotógrafo da sucursal paulista de O Globo, acompanhou os irmãos sertanistas Cláudio e Orlando Villas-Boas numa viagem à aldeia dos índios Panarás, na Amazônia. Desde então, não mais parou de se dedicar à documentação da região, sua gente e das transformações que, ao longo dos anos, transformaram o rico universo. Viajou muito pelos rios, recolheu imagens e histórias. Mulheres da Amazônia (Editora Jaraqui, 176 páginas, R$ 80,00), que acaba de chegar às livrarias, é o terceiro com a sua assinatura e o excelente trabalho fotográfico que é a sua marca. Antes, publicou Panarás e Amazônia: O Povo das Águas.O novo livro vem com introdução da jornalista Dorrit Harazim. Diz ela: "Durante trinta anos, Martinelli foi fundamentalmente um fotojornalista a serviço dos melhores órgãos de imprensa do país. Com um estilo viking de ser, tomava de assalto a notícia ? fosse ela uma guerra na Nicarágua, a erupção do garimpo em Serra Pelada, o primeiro contato com índios gigantes da Amazônia, uma final olímpica de vôlei. Somou ao fotojornalismo uma carreira de ensaísta fotográfico do nu feminino e criou um estilo próprio de fotografar moda. Com suas lentes, construiu campanhas publicitárias para marcas internacionais e estava com a carreira assentada no topo".O lançamento de Mulheres da Amazônia é a inauguração da Jaraqui, editora fundada no ano passado por Martinelli.OS RELATOS DE ELIO GASPARI SOBRE OS ANOS DE CHUMBO DA DITADURA MILITARNão houve, nos anos recentes, safra maior de elogios. Nem no número, e muito menos na qualidade. Vejamos alguns:"Elio Gaspari faz história como quem escreve um romance. Os retratos que constrói ao longo do texto são memoráveis".Thomas E. Skidmore, O Estado de S. Paulo."Não se tem sobre o período, e raramente se encontrará sobre qualquer outro período da história recente do país, obra tão circunstanciada, tão bem apurada, bem escrita e bem apresentada".Roberto Pompeu de Toledo, Veja."Nunca se fez nada igual no Brasil, nem brasilianistas no exterior. Nem na produção historiográfica acadêmica nem na jornalística. Nunca o olhar foi tão plural sobre um período usualmente descrito pelos relatos de contendores. Gaspari desvenda o que ia pelos porões da repressão, pelos aparelhos (esconderijos) dos guerrilheiros e pelos palácios".Mário Magalhães, Folha de S. Paulo.Os elogios começaram com o primeiro livro da série d?As Ilusões Armadas, A ditadura envergonhada, que vendeu nada menos de 175 mil exemplares. Prosseguiram com o segundo, A ditadura escancarada. Agora, a editora Companhia das Letras mandou para as livrarias o terceiro: A ditadura derrotada (544 páginas, R$ 49,50).Este, especialmente, mereceu aplausos do ex-presidente José Sarney. Na condição de testemunha maior dos anos de chumbo, disse ele: "Elio, como Euclides da Cunha em Os Sertões, vai aos melhores detalhes, sem perder as grandes linhas".EM DISCUSSÃO O PODER (HAJA PODER!) DAS GRANDES EMPRESAS MULTINACIONAISEste é um livro que repercutiu, e muito, tanto na Europa (o autor é inglês) quanto nos Estados Unidos. Está agora nas prateleiras do Brasil numa tradução de Elaine Pepe. Em Os Impérios do Lucro (Campus, 388 páginas, R$ 69,90), o antropólogo e também economista Daniel Litvin discute o papel constantemente atribuído às empresas multinacionais: o de "monstros" ambiciosos, que destroem os países em desenvolvimento na sua busca decidida dos lucros, e também manipulam governos.O livro de Daniel Litvin, hoje um best-seller, mereceu na Europa elogios como este de Hunter Wade, professor de Economia Política da London School: "Os Impérios do Lucro é um destes raros livros que aborda uma importante questão que está por trás das discussões atuais, apresenta conclusões surpreendentes e faz isso em uma linguagem acessível. A mensagem de Daniel Litvin merece ser lida por todos".UM LIVRO PARA CRIANÇAS, COM O SELO (DE MUITO PRESTÍGIO) DA MELHORAMENTOS.Leiam, crianças. O livro Vovô não toma jeito!, de Liliana Iacocca, com ilustrações de Michele Iacocca, inaugura a série Família Moreira, da Melhoramentos (24 páginas, R$ 15,00). Nele, o personagem principal é o vovô Moreira, que vive sempre contrariando o neto, Moreirinha.Com muito humor, a série retrata o cotidiano de uma família bem brasileira. Os adultos, preocupados em educar e transmitir valores, surpreendem-se com as atitudes seguras dos filhos. As histórias, escritas para crianças em fase de alfabetização, são enriquecidas com as ilustrações de Michele, que permitem também, pelas imagens, a descoberta de inúmeros detalhes que criam relatos paralelos.O ilustrador Michele Iacocca é italiano, mas vive há mais de trinta anos no Brasil. Sua formação é em artes plásticas. Agora, com a mulher, Liliana, ingressa na literatura infantil.UM LIVRO EM QUE O RIO DE JANEIRO É CENÁRIO E TAMBÉM O PERSONAGEMUm desfile de personagens (ou celebridades?) ilustres do Rio. O autor, Francisco Paula de Freitas, jornalista, diretor da sucursal carioca da Editora Três, nasceu no bairro do Méier, na zona Norte. Os outros são mais conhecidos na Zona Sul: o também escritor Fausto Wolff, que assina o prefácio de Café e Bar Ponto Chic (Bertrand Brasil, 240 páginas, R$ 29,00), e Benício Medeiros e o cartunista Jaguar, responsáveis pelas duas orelhas.O livro mostra a intimidade do autor com alguns bairros da cidade, de Copacabana ao Méier. São 27 histórias cheias de humor, paixão e também de algumas tragédias. Café e Bar Ponto Chic é a estréia de Francisco Paula de Freitas como contista. Antes, ele havia publicado um livro de poesias: Os Suicidas se Atiram de Pés Descalços, que mereceu elogios de pessoas do porte de Manoel de Barros, Millör Fernandes e Antônio Torres.O ESCRITOR NORTE-AMERICANO CHUCK PALAHNIUK, DE VOLTA ÀS LIVRARIAS.O primeiro sucesso de Chuck Palahniuk, considerado hoje um dos nomes de maior destaque da literatura norte-americana, foi o Clube da Luta, também editado no Brasil pela Nova Alexandria. Agora, chega-nos, com o mesmo selo ? e em tradução de Marcelo Oliveira Nunes ?, o romance Sobrevivente. Nele, uma crítica ácida, bem ao estilo de Palahniuk, aos valores e à educação da chamada sociedade consumista.Em Sobrevivente (240 páginas, R$ 32,00), ele diz coisas assim: hoje não há mais qualquer problema em oferecer Valium ao peixinho de estimação, nem mesmo em aprender algumas "técnicas úteis" para remover sangue de um teclado de piano. O importante é consumir, e basta, segundo Palahniuk. Não importa os compromissos morais.A marca de Palahniuk, segundo a maioria dos críticos, é a audácia e a contestação. Um autor imprevisível, dizem alguns. Hoje jornalista e escritor, antes eles passou por uma série de experiências profissionais: mecânico de automóveis, artista de rap, instrutor de academias de ginástica e membro assíduo de reuniões para viciados em sexo.A TRAJETÓRIA DA MAIS FAMOSA FAMÍLIA DOS EUA. SEUS SONHOS E PESADELOS.O assassinato de John F. Kennedy, então presidente dos Estados Unidos, em uma rua de Dallas, no Texas, acaba de completar 40 anos. Foi em 22 de novembro de 1963. Em A Maldição dos Kennedy, Edward Klein, considerado hoje o maior biógrafo da família, não apenas retrata aqueles momentos amargos. Vai mais longe: o livro (Ediouro, 280 páginas, R$ 34,00), traduzido por Gilson Baptista Soares, mostra a trajetória dos Kennedy desde o longínquo 1834, quando ainda estavam na cidade de Patrick, na Irlanda.O relato de Klein percorre os infortúnios da família até a era moderna, discutindo tanto acontecimentos de pouca repercussão quanto outros mais notórios, como as maquinações políticas e sociais de Joseph Kennedy, o patriarca; o relacionamento de John Jr. com a sua frágil e perturbada esposa Carolyn Bessette, as ansiedades de Jackie com os problemas dos filhos e o seu medo quase patológico a respeito da segurança de cada um.Um fragmento da orelha do livro que merece ser transcrito. Nele, uma visão exata da trajetória de alegria e mágoas dos Kennedy. Vejam: "A morte foi misericordiosa com Jacqueline Kennedy Onassis, pois a poupou do pior pesadelo de uma mãe: a perda de um filho. Mas se Jackie estivesse viva para ver JFK Jr. morrer num desastre de avião ? a caminho do casamento do primo ?, teria ficado duplamente horrorizada com a sina da família. Mais uma vez, num dia que deveria ter sido de alegria, os Kennedy eram atingidos pela tragédia".UMA HISTÓRIA ALTERNATIVA DA FILOSOFIA. PROPOSTA DE SUSAN NEIMAN.Uma intelectual de muitas andanças, e também de muitos títulos. Susan Neiman, autora de O Mal no Pensamento Moderno (Difel, 392 páginas, R$ 49,00), que os editores brasileiros apresentam como uma história alternativa da filosofia, é hoje diretora do Einstein Forum, em Potsdam, na Alemanha. Antes, estudou na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e de lá saiu para dar aulas em Tel Aviv, Israel. Um nome de prestígio (muito) nos Estados Unidos e na Europa.O que mostra Susan Neiman em seu O Mal no Pensamento Moderno? Respostas: ? O mal ameaça a razão humana, pois desafia a nossa esperança de que o mundo faça sentido. Para os europeus do século XVIII, o terremoto de Lisboa foi o mal manifesto. Hoje vemos o mal como uma questão de crueldade humana e Auschwitz como a sua encarnação extrema.A tradução é de Fernanda Abreu.

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