Arquivo/Estadão
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70 anos de Calvin Klein

Controverso e provocativo, estilista criou império fashion

FLAVIA GUERRA - O Estado de S.Paulo,

25 de novembro de 2012 | 02h15

Há cerca de dez anos Calvin Klein não dirige mais a marca que leva seu nome. Hoje, a grife que traduz como poucas o estilo de vida contemporâneo, em que o mínimo é o máximo da sofisticação, tem o brasileiro Francisco Costa à frente. Mas os 70 anos do estilista, comemorados no dia 19, servem de pretexto para se lembrar dos momentos memoráveis de uma das mais icônicas carreiras da moda mundial. Suas criações e campanhas sempre provocativas traduzem o american way de ser cool, fashion e despreocupado ao mesmo tempo. Não por acaso, o estilista vendeu em 2002 seu império construído com o aporte inicial de US$ 10 mil por US$ 739 milhões.

De uma pequena loja de casacos fundada no York Hotel há 44 anos ao império da moda minimalista, Klein percorreu uma trajetória única. Poucos nomes da moda conseguem o feito de serem reconhecidos desde o mais rapper dos consumidores até as mais sofisticadas jetsetters. Exemplo da popularidade da marca? Quem não se lembra da cena em que Marty McFly (Michael J. Fox) vira Calvin em De Volta para o Futuro (1985)? Tudo porque a mocinha Linda McFly (Wendie Jo Sperber), que vivia em 1955, vê Calvin Klein bordado em sua cueca.

É por essas e outras que a moda underwear nunca mais foi a mesma após as boxes Calvin Klein. Quando se pensa em Calvin Klein pensa-se ainda na icônica box. Usada por Mark Wahlberg no provocativo anúncio dos anos 90, em que o ator 'segurava suas partes', a peça se tornou tão popular que Marci (filha do estilista com sua primeira mulher, Jayne Centre Klein, com quem viveu de 1964 a 1974) chegou a dizer que "toda vez que ia dormir com alguém, tinha de dar de cara com o nome do pai na cueca dele". Segundo o estilista, a culpa é da socialite e fotógrafa Kelly Rector Klein (foi casada com ele de 1986 a 2006). Kelly trabalhou com o marido por vários anos e foi a responsável pelo investimento da marca em underwear.

Obviamente não foi só de reinventar lingeries e cuecas que o nova-iorquino descendente de húngaros fez carreira. Klein também reinventou a forma de se fazer, usar e vender a sportswear, dos já clássicos perfumes, passando pelas lingeries que traduzem o máximo do conforto da mulher descomplicada, mas sexy. Modelo perfeito para este conceito? Kate Moss, que estrelou seu primeiro anúncio para a marca ainda adolescente.

Além de Moss, garota problema que encarnou o espírito das fotos sexies e provocativas da grife, Klein sempre escolheu a dedo os rostos de suas campanhas. E assim alavancou a carreira de muitos. De Moss a Gwyneth Paltrow, passando por Sandra Bullock, Julia Roberts, Zoe Saldana, Eva Mendes e, mais recentemente, Lara Stone, as divas foram muitas.

As polêmicas, a propósito, também. Do já citado Wahlberg a casais em cenas cuja atmosfera era digna dos soft porns, a Calvin Klein causou nos emblemáticos anos 70, 80 e 90. Quem não se lembra do anúncio que exibia Brooke Shields clicada em 79 por Richard Avedon e a legenda: "Quem sabe o que há entre mim e minha Calvin? Nada." E o que dizer da foto em que Moss posa de topless? O biotipo da top, supermagra, casou com a estética minimalista, e andrógina, da marca dos anos 90. Na época, Klein disse que escolhera a inglesa justamente por isso. Moss, com seu estilo 'waif' (sinônimo de mendigo), combinava com a intenção de coroar a beleza mínima e natural e alertar para exageros do estilo artificial e afetado das ricas e famosas da época, que exageravam no silicone.

Desde então, o estilo waif foi alvo de protestos por incentivar a ditadura da magreza. Klein deixou sua grife, que se tornou muito mais comportada. E, sob a batuta do brasileiro Costa, que investiu minuciosamente na sofisticação e nos detalhes, a marca se reinventa. A propósito, o ator Kellan Lutz, da saga Crepúsculo, é o atual garoto-propaganda da grife. Sinal dos tempos.

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