5 mil fãs de mangás dominam Memorial

Ninfetas com orelhas e rabos felpudos. Garotos com armaduras medievais e espadas de samurais. Cicatrizes artificiais, luvinhas numa mão só, camisetas pretas de Offspring, NOFX e Nightwish.Cerca de 5 mil adolescentes, a maioria vestindo fantasias dos ídolos, invadiram ontem as imediações do Memorial da América Latina, na zona oeste, para a convenção Anime Friends, uma reunião de fãs de animes (desenhos de animação japoneses) e mangás (os quadrinhos japoneses).Pela manhã, a fila para entrar no Espaço das Américas tinha quase três quadras de extensão. Havia caravanas de todo o País e até da Argentina, segundo a organização. A mostra prossegue até domingo, na Barra Funda. Além de encontrar desenhistas de mangás e assistir a shows de cantores de temas de seriados, os animaníacos podem, na convenção, vender fanzines alternativos, participar de oficinas e debates e disputar jogos, como o campeonato de pump (máquinas de dança eletrônica) e a disputa de RPG de mesa.Victor Hugo Araujo Silva, de 22 anos, cantava em japonês o tema do seriado Jaspion, num estande de karaokê. ?Só sei mais ou menos o que quer dizer a letra, mas decorei tudo. Gosto do ritmo. Seriados como esse fizeram parte da minha infância e foi uma infância muito boa?, justificou.Alyne do Carmo, de 15 anos e rabo de raposa, e Catherina Vestri, de 13 (com um bumerangue gigante a tiracolo), foram à convenção vestidas como os personagens Shippou e Sango, do cartum Iny Yosha. ?A gente escolheu esse desenho porque é engraçado, romântico, emocionante?, disse Catherina.Jefferson Miura Kaneta, de 18 anos, veio de Londrina, no Paraná, para a feira. Trouxe fanzines fotocopiados Mishiranu, que vendia por R$ 1,00 aos interessados. ?Nossa estratégia básica é o preço. Mas não está funcionando muito?, brincou. ?É preciso uma capa colorida, chamativa, mas isso sai caro. Ser carismático também conta e eu não tenho coragem de sair oferecendo na cara das pessoas. Eu mesmo não gostaria que fizessem isso comigo?. Acossado pela timidez, Kaneta gastou a tarde desenhando aventuras na área dos fanzineiros.A cantora japonesa Masami Okui (a voz que se ouve na música-tema dos seriados Yu-Gi-Oh!, Slayers e Uttena) dava autógrafos para uma fila de garotos no meio do pavilhão. Poucos deles falavam japonês e ela tinha tempo contado para assinar (e desenhar) para umas poucas centenas de sortudos.Marcel Goto, editor-chefe da Yamato, empresa que organiza o evento, disse que há de fato um boom da cultura pop japonesa no País. Prestes a lançar Sugoi, um mangá inteiramente feito no Brasil, crê que este é o segmento do mundo do entretenimento que mais cresce no Brasil. ?De tempos em tempos, alguma editora faz bem-feito seu trabalho e há esse interesse maior. Foi como quando lançaram Cavaleiros do Zodíaco, que chegou a vender 200 mil exemplares.?O interesse, segundo Goto, é justificado por uma série de razões. ?Primeiro, o mangá tem uma linguagem visual própria, que a gente não tem aqui. O japonês não é uma linguagem fonética, é ideográfica. É mais eficiente, com códigos próprios.?

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