4.º Festival de Cinema de Belém atrai etnias indígenas

Fabricando Tom Zé, de Décio Matos Júnior, foi o grande vencedor da quarta edição do Festival de Belém do Cinema Brasileiro, encerrada na capital paraense neste domingo, 8. O documentário, que conta a trajetória do inventivo músico baiano, levou o grande prêmio da noite, de Melhor Filme e, ainda, o de Melhor Documentário. Festival que se consolida como pólo irradiador da cultura audiovisual no Norte do País, tanto entre realizadores quanto entre o próprio público, a festa do cinema na Amazônia chama a atenção pela grande participação popular. Durante toda a semana passada, as pessoas ocuparam todos os cerca de 500 lugares do imponente Cine Olympia, no centro da cidade, e foram espectadores e júri - todos os prêmios do festival são concedidos por meio de votação popular. "Há duas edições fazemos o festival somente com o júri popular. Num primeiro momento, foi pela necessidade de aproveitar melhor os recursos, mas depois o retorno da população da cidade foi tão bom, que percebemos que é a melhor maneira de fazer", avalia a atriz Dira Paes, paraense que, com Emanoel Freitas divide a direção do festival.O festival recebeu nesta edição 310 inscrições, e uma comissão de curadores selecionou 26 produções, entre curtas, médias e longas-metragens, documentários e ficção. No Olympia, o cinema mais antigo do País e em atividade ininterrupta desde 3 de dezembro de 1912, o festival reuniu a classe cinematográfica, público e representantes de algumas das 37 etnias indígenas do Pará numa emocionante cerimônia de premiação. Foi uma festa cheia de simbolismos, e o principal deles é o próprio fato de o Cine Olympia estar agora marcado como a sede do festival de cinema da cidade, depois de ter vivido o risco de ser vendido para uma igreja evangélica. "Aqui é um lugar preservado por nossa gente, depois de muita briga. É como um verdadeiro templo do cinema para a cidade e o País, um símbolo de resistência", definiu Dira.Cidade de gente simpática e hospitaleira, Belém recebeu de braços abertos a diversidade do cinema brasileiro. O paraibano Cine Tapuia, de Rosemberg Cariry, ficou com o prêmio de Melhor Longa-Metragem de Ficção. Do Tocantins, Raimunda, A Quebradeira, venceu como Melhor Média-metragem, e o cearense Cine Zé Sozinho, documentário de Adriano Lima, como Melhor Curta.A repórter viajou a convite da organização do festival.

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