Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

30ª Bienal apresenta vertente sonora

Vozes estão em diferentes frentes, desde a transmissão radiofônica até as instalações sonoras

CAMILA MOLINA - O Estado de S.Paulo,

13 de setembro de 2012 | 03h13

É preciso entrar em uma van, que sai do Parque do Ibirapuera e se desloca até a Capela do Morumbi, e colocar fones de ouvido para "ver e ouvir" a obra que o artista argentino Leandro Tartaglia criou para a 30.ª Bienal de São Paulo - uma delicada narrativa sonora que nos leva à instalação de som da compositora norte-americana Maryanne Amacher (1938-2009), trabalho que também faz parte da atual edição da mostra de arte. Já na Casa Modernista, na Vila Mariana, o visitante é convidado a "tocar o som" ou fazer fotografias e peças escultóricas virarem música em Looking at Listening, da dupla Sergei Tcherepnin e Ei Arakawa, que integra a 30.ª Bienal.

Vozes em diferentes frentes, desde a transmissão radiofônica até a apresentação de instalações sonoras, é como se chama o segmento conceitual dedicado ao som na 30.ª Bienal de São Paulo, em cartaz até 9 de dezembro. No Parque do Ibirapuera, no prédio onde a edição da mostra faz sua principal morada, há, por exemplo, instalações do brasileiro Paulo Vivacqua, como uma estação de rádio que transmite programação ininterrupta, o projeto Mobile Radio BSP, dos artistas Sarah Washington, Knut Aufermann e Leandro Nerefuh.

A própria Maryanne Amacher, figura histórica não só por sua pesquisa e pelas parcerias com o compositor John Cage, também realizou experiências radiofônicas, mas são suas instalações imersivas de pura vibração do som em relação à arquitetura dos espaços o destaque de sua obra.

Se estivesse viva, ela certamente se sentiria desafiada a criar uma obra para a contígua Capela do Morumbi (Avenida Morumbi, 5.387), construção do arquiteto moderno Gregori Warchavchik sobre ruínas de taipa de pilão do século 19. Entretanto, seus amigos e discípulos, os artistas Micah Silver e Robert The, realizaram no local a instalação Conexões Supremas a partir de um repertório de arquivos da compositora e criadora multimídia. São 57 minutos de som estridente em um ambiente escuro, onde peças escultóricas de papel estão a serviço da acústica. Na pesquisa de Maryanne, que alguns definem como obra "psicoacústica", a percepção está ligada ao neuronal - tons eletrônicos dissonantes em arquiteturas específicas criam no espectador a sensação de que o som também pode sair de seu próprio corpo.

Maryanne não tem apenas elo com a obra de Tartaglia, cuja narrativa sonora que ouvimos na van para 13 pessoas fala, na travessia pelo trânsito, não só da percepção de um argentino em São Paulo, como da fantasia e do impacto da criação da compositora sobre o artista. Mesmo o norte-americano Sergei Tcherepnin, que faz dupla com o japonês Ei Arakawa, foi um discípulo de Maryanne. No trabalho que eles apresentam na Casa Modernista (Rua Santa Cruz, 325) projetada por Warchavchik, as peças escultóricas feitas de chapas de aço, amplificadores e panos pedem que o espectador seja menos passivo e mais ativo em relação aos sons.

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