25.ª Bienal abre no domingo

Os cinco módulos da 25.ª Bienal Internacional de São Paulo estão quase prontos. Cerca de 200 operários, dos quais 100 trazidos pelos artistas, trabalham apressadamente para dar conta dos três andares do Pavilhão Cicillo Matarazzo até a manhã de sábado, dia em que a Bienal será aberta ao público. Enquanto isso, a aparência é de um canteiro de obras, o cheiro que se respira é de tinta e em todos os cantos ouve-se marteladas. A Bienal é um processo até o momento da abertura.O único módulo praticamente completo é o da Representação do Brasil, em que artistas nacionais como Carmela Gross e Alexaneder Pillis vão mostrar suas mais recentes produções. A razão é clara. ?Muitos dos artistas internacionais chegaram apenas esta semana?, afirma Pedro Bayeux, da organização do evento. E além de terem vindo em cima da hora, vários deles não trouxeram obras prontas, mas começaram a interferir no espaço do pavilhão depois que chegaram. O curador-geral da mostra fez questão de levar alguns dos artistas estrangeiros para uma favela de São Paulo, o que soa bem a propósito do conceito da Bienal, Iconografias Urbanas. Uma deles, a americana Sarah Sze, se inspirou na estrutura frágil das favelas e montou uma maquete que atravessa dois andares do pavilhão mostrando uma fusão de palitos de plástico decorados com pequenas instalações elétricas e hidráulicas. Mas a Bienal já tem muita coisa pronta. No módulo que vai resumir artisticamente 11 metrópoles do mundo, destaca-se a obra do russo Anatoly Osmolowsky, que mostra a sua Moscou com prédios feitos de papelão e fita adesiva, propositadamente feios. Não há como não pensar numa Moscou degradada, cosmopolita, porém, pobre, frágil e devastada. Eis um momento em que a arte contemporânea, freqüentemente acusada de ser incompreensível, aparece objetiva e politicamente forte. Outra obra que tem as mesmas características é a do palestino Sliman Mansour. A chamada Arte da Intifada, que ele criou para expressar as angústias de seu povo na luta pela terra, traz a São Paulo um pouco do chão da Palestina. O artista pôs alguns quilos de barro do chão de sua terra natal e os moldou como terra seca e batida. Em cima, refletores iluminam o chão, numa clara referência à passividade do Ocidente, que assiste ao conflito entre judeus e palestinos pela televisão e pouco sabe do que acontece de fato. Mas há também obras com que se divertir na Bienal. As fotos de Spencer Tunick mostram dezenas de pessoas nuas deitadas no chão de várias cidades do mundo. Uma coisa Tunick consegue ter: a atenção de quem passa. Suas imagens já estão na parede. E para quem gostou da idéia, uma informação importante: Spencer Tunick vai fazer uma foto com paulistanos nus deitados no Parque do Ibirapuera no dia 27 de abril, às 6h30 da manhã. Os interessados em aparecer na foto podem ligar para a Bienal, no telefone 5574-5922. Complementos ? Ao lado do Pavilhão da Bienal, na Oca, vai funcionar a mostra SP Arte. A exposição foi montada com acervos de 28 galerias e escritórios de arte de sete cidades brasileiras (São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Brasília, João Pessoa e Recife). Além da SP Arte, a Oca vai sediar também uma exposição de 315 fotos de fotógrafos como Sebastião Salgado e Walter Firmo e também uma mostra de design em pedras, com o trabalho de quatro designers brasileiras. Finalmente, o MAM acompanha o furacão de arte que toma conta do Ibirapuera com as mostras Paralelos e Espelho Selvagem. A primeira traz uma parte consistente do acervo da colecionadora venezuelana Patricia Cisneros e a outra é baseada na coleção da família Nemirovski. Enquanto Paralelos mostra obras de artistas latino-americanos feitas a partir dos anos 50, já sob influência dos movimentos concreto e neo-concreto, Espelho Selvagem exibe os grandes ícones do modernismo brasileiro, como Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Cícero Dias, Afredo Volpi e Ismael Nery, entre muitos outros. Ou seja, opção é o que não falta a quem for ao Parque do Ibirapuera a partir deste final de semana.25 ª Bienal Internacional de São Paulo ? Pavilhão Cicillo Matarazzo, no Parque do Ibirapuera. Inauguração para convidados: 23 de março. Para o público: 24 de março, domingo. Horários: De terças a sextas, das 9h às 13h, exclusivo para escolas. Das 13h às 21h, aberto ao público. Sábados e domingos, das 10h às 22h. As bilheterias vão funcionar de terça a sexta entre 13h e 20h e nos fins de semana entre 9h e 21h. Ingressos: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia). Crianças de até 6 anos, alunos da rede pública de São Paulo e pessoas acima de 65 anos não pagam. Crianças de 7 a 12 anos e alunos de escolas particulares (apresentando carteira escolar) pagam meia entrada. Para agendar visitas guiadas, ligar para 5574-5922, ramal 271, ou enviar e-mail para bienal.agenda@uol.com.br

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