Sérgio Neves/AE
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21.ª Bienal do Livro recupera público e atrai 740 mil

Balanço divulgado pela organização indica que evento recuperou público que havia perdido em 2008

Ubiratan Brasil e Raquel Cozer,

22 de agosto de 2010 | 16h17

Com maior investimento em programação cultural e em divulgação, a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, encerrada neste domingo, 22, recuperou um público que havia perdido na edição de 2008. Nos dez dias do evento, passaram pelo Anhembi cerca de 740 mil pessoas, numa média diária (74 mil) só um pouco maior que a de 2006, quando em 11 dias o espaço recebeu 811 mil pessoas. Em 2008, com público total de 728 mil pessoas, a média diária tinha sido de 66 mil.

 

O dia de maior movimentação foi o segundo sábado, ontem, quando 110 mil pessoas visitaram o evento, atraídas pelos descontos mais comuns no final da feira e por atrações como Ziraldo, Lygia Fagundes Telles e Mia Couto - no sábado anterior, o público tinha sido de pouco mais de 80 mil. O espaço mais visitado foi o infantil O Livro é uma Viagem, que recebeu 50 mil crianças.

 

Faturamento - O balanço final de faturamento ainda não foi divulgado, mas editoras e livrarias consultadas pelo Estado confirmaram que o número de livros vendidos foi superior ao da edição de 2008 - nos estandes da Editora Senac e da Livraria Saraiva, por exemplo, o aumento foi de 50%, enquanto a Record observou crescimento de 90%. Em alguns estandes, as vendas superaram até as da edição de 2009 da Bienal do Rio, evento que costuma fazer mais caixa que o paulistano - caso da Melhoramentos, que teve aumento de 40% na comparação com o ano passado.

 

Público - Mas o aumento de público também tornou mais perceptível alguns problemas de infraestrutura, como a incapacidade do sistema de ar condicionado de suprir as necessidades do espaço; a falta de sinalização, o que tornou ainda mais demoradas as enormes filas na entrada; e a organização no estacionamento. As questões foram destacadas hoje, em entrevista coletiva por Juan Pablo de Vera, presidente da Reed Exhibitions Alcantara Machado, empresa que organiza feiras como a de Frankfurt e a de Paris. "Estamos conversando com a CBL sobre características que achamos que o espaço deve ter para a próxima edição. O Anhembi foi criado em 1970. É preciso pensar num novo pavilhão em São Paulo que comporte feiras de caráter internacional no século 21", disse.

 

Pela primeira vez, a organização da Bienal contratou um instituto de pesquisa, o Datafolha, para fazer um balanço mais preciso do evento. Em números prévios divulgados hoje - o resultado final da auditoria deve sair só na quarta - , o instituto constatou uma presença maior do público feminino (59% dos visitantes foram mulheres) e jovem (34% tinham entre 14 e 25 anos). A pesquisa também diagnosticou uma boa avaliação para esta Bienal do Livro, considerada ótima ou boa para 93% dos visitantes. O maior problema foi a praça de alimentação, que apenas 37% avaliaram como ótima ou boa.

 

Pop star. Alguns escritores descobriram como é ser uma estrela semelhante ao do rock. No sábado, uma pequena multidão tentou acompanhar a palestra da Lygia Fagundes Telles, no Salão de Ideias. Como a sala comportava apenas 150 pessoas, as demais se contorciam nas paredes envidraçadas, de onde conseguiam observar e fotografar a autora. "Fico satisfeita ao descobrir que o escritor, embora habitualmente morra pobre, ao menos conta com o carinho do público", disse a autora, que precisou ser escoltada por seguranças para conseguir se movimentar. A medida, aliás, foi adotada até por veteranos de Bienal, como o cartunista Ziraldo, que necessitou de escolta.

 

O apelo televisivo também servia para lotar as salas. A mesa "Fazer Humor é Coisa Séria", com a atriz Guta Stresser, o jornalista Guilherme Fiuza e os humoristas Rafael Cortez e Paulo Caruso, por exemplo, lotou neste domingo o espaço Território Livre, de cem lugares. E ao menos outra centena aguardava do lado de fora, na esperança de fotografar especialmente Cortez, do programa CQC.

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