2013 foi o ano da ressurreição no pop/rock

Retornos e reabilitações deram a tônica na temporada de shows

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

23 de dezembro de 2013 | 18h30

No mundo do pop/rock internacional, 2013 foi um ano marcado por retomadas, reabilitações, retornos. Um ano de ressurreições.

O Black Sabbath lançou um novo disco, 13, seu primeiro álbum de inéditas com o line-up original em 35 anos. E (embora desfalcado do baterista) veio ao Brasil pela primeira vez, fazendo ao menos um show antológico: o da estréia, no estacionamento da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, Fiergs, em outubro, em Porto Alegre.

 

Os originadores saíram da toca. Após 10 anos sumido, David Bowie saiu de um longo inverno em retiro e lançou The Next Day, um disco de formidável vitalidade, uma ponte entre seu próprio passado berlinense e seu presente de homem comum em Nova York. Na mesma linha, o infatigável Paul McCartney lançou o disco New, e o velho bardo das sombras Nick Cave colocou em marcha o novo Push the Sky Away.

Não por acaso, alguns dos melhores shows do ano foram de veteranos. Bruce Springsteen finalmente fez um concerto no País (tinha vindo em 1988, para um show coletivo em prol da Anistia Internacional). No Rock in Rio, em setembro, deu um presente aos seus fãs: tocou inteirinho, de cabo a rabo, o disco clássico Born in the USA (1984). Na abertura, homenageou outro artista referencial do rock, Raul Seixas, tocando Sociedade Alternativa – talvez o mais tocante momento do ano.

O rhythm’n’blues de Dr. John foi o destaque da jornada Best of Blues Festival. Com seu ritmo contagiante, o curandeiro do blues passeou também por funk e rock psicodélico e deu uma aula de groove na Marginal Pinheiros. No Rock in Rio, Ben Harper mostrou que, em música, não há divisão, somente amálgamas. Juntou-se ao gaitista Charlie Musselwhite, de 70 anos. As baladas mínimas de Harper ganharam contornos com a gaita de Musselwhite, e os clássicos do bluesman adquiriram contorno ensolarado. Ficou muito maior do que a expectativa do festival, ganhando dos megashows do palco principal.

Mas quem se destacou com maior eloquência foi a espanhola Buika. Aos 41 anos, ela estreou no Brasil em novembro, no Tom Jazz. A “Nina Simone” do novíssimo flamenco espanhol é um diamante bruto em cena. Seu amálgama sedimenta da música afro-cubana à canção tuaregue e o funk norte-americano com uma naturalidade espantosa. Canta numa área de extremos emocionais, com um domínio absoluto da cena e do repertório, sem deixar que nada soe circunstancial ou trivial. Um monstro.

Foi um ano de bons discos, do delicado Mala, do neohippie Devendra Banhart, até o eletrônico Random Access Memories, do Daft Punk, passando pelo pop criativo de Justin Timberlake (The 20/20 Experience) até um esforço de versatilidade dos Strokes (Comedown Machine).

No mundo do show biz nacional, apagões momentâneos. O festival Lollapalooza, que se anuncia como o maior evento do País, foi abandonado pela produtora Geo Eventos. Logo em seguida, no entanto, a gigante T4F anunciou que estava “adotando” mais esse evento (já organiza também o Planeta Terra). É um sintoma de monopólio, mas também um sinal de que há interesse e vitalidade no ramo – falta diversidade, faltam espaços adequados. A pista do aeroporto do Campo de Marte não vai dar conta.

 

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