10.º Festival de Teatro de Curitiba dá a largada

Os atores/equilibristas da companhia paulistana Central do Circo, dirigidos por Rodrigo Matheus no espetáculo Os Fantasmas, abrem nessa quinta-feira à noite no Ópera de Arame o 10.º Festival de Teatro de Curitiba (FTC). A edição deste ano tem um número recorde de espetáculos - 133 entre a mostra oficial, a infantil e o Fringe, a mostra paralela. Ano passado, a programação contou com 65 espetáculos, e um público de 80 mil pessoas segundo dados da Calvin, a empresa organizadora. A expectativa deste ano é ampliar o público para 100 mil. O evento está orçado em R$ 1,5 milhão, "70% captados na iniciativa privada e 30% de verbas pública", segundo Vitor Aronis, um dos diretores da Calvin. O Provocador, uma colagem de textos de autores como Lacan e Eurípides costurada pelo irreverente ator e diretor Antonio Abujamra e Dias Felizes, de Samuel Beckett, com Vera Holtz como atriz convidada são as peças mais cotadas até agora, considerando-se o número de ingressos vendidos.Na seqüência vem A Mulher sem Pecado, de Nélson Rodrigues com Luciana Braga e José de Abreu, este no papel de Olegário, um homem obcecado pelo ciúme, e A Controvérsia, com Paulo José e Matheus Nachtergaele no elenco, cuja trama gira em torno da dúvida da Igreja Católica, no século 16, sobre a existência de alma nos nativos do Novo Mundo.Apostas - Vale apostar em espetáculos sem estrelas da televisão ou do cinema como Subúrbia, dirigido por Francisco Medeiros, que acaba de encerrar uma bem-sucedida temporada em São Paulo e Um Trem Chamado Desejo, a encantadora história dos percalços de uma trupe teatral brasileira na década de 20, com o premiado Grupo Galpão, cuja curta temporada ficou restrita - até agora - à cidade de Belo Horizonte.Destacam-se também algumas grandes estréias nacionais como o espetáculo Copenhagen, texto do inglês Michael Frayn, dirigido por Marco Antônio Rodrigues. Premiada na Broadway, Paris e Londres, a peça gira em torno do encontro entre dois papas da física quântica - o judeu Niels Bohr (Oswaldo Mendes) e o alemão Werner Heisenberg (Carlos Palma), em plena 2.ª Guerra Mundial. Um espetáculo considerado difícil, cujo sucesso de público no mundo inteiro surpreendeu até mesmo o autor do texto. É torcer para que a dupla ousadia, dos artistas e do festival, seja premiada.Duas outras estréias promissoras são Um Porto para Elizabeth Bishop e Abajur Lilás. A primeira, um monólogo, conta com a atriz Regina Braga, tem direção de José Possi Neto e texto de Marta Góes. A peça flagra a poeta norte-americana Elizabeth Bishop (1911-1979) durante os 15 anos que viveu no Brasil em companhia da arquiteta e paisagista Lota Macedo Soares. Plínio Marcos é o autor de Abajur Lilás, que tem direção de Sérgio Ferrara, um jovem que já comprovou - com a encenação de Barrela - ter talento para mergulhar no violento universo do autor.E como ocorre todos os anos, a mostra oficial conta ainda com uma atração estrangeira, desta vez uma produção polonesa, Um Réquiem para Tadeuz Kantor. Concebida pela companhia Ariel Theatre, a peça é uma homenagem ao artista polonês Tadeuz Kantor (1915-1990), um dos mais importantes encenadores contemporâneos. Depois de passar por Curitiba, Um Réquiem inicia temporada no dia 29 em São Paulo, no Sesc Belenzinho.A qualidade das peças e, sobretudo, a intensa mobilização que o festival provoca na cidade de Curitiba são suficientes para garantir a presença do público nos espetáculos da mostra oficial e infantil, igualmente ampliada este ano. Mas não é pecado duvidar do otimismo do diretor Aronis no que diz respeito à presença do público na mostra paralela. Afinal, são cerca de 110 espetáculos, o dobro do ano passado, quando houve problemas como casas vazias ou espaços inadequados, com "vazamento" de som de um espetáculo para outro."Eu acredito que tenha público para todos os espetáculos do Fringe. E não vamos utilizar o Canal da Música, onde ocorreram problemas, na edição passada, por falta de isolamento acústico", garante Aronis. Vale ressaltar que as equipes que participam da mostra oficial têm cachê garantido. Já as produções do Fringe têm direito a ocupar um espaço, a utilizar equipamentos de som e luz, e pagam essa oferta com uma porcentagem de bilheteria, que varia entre 10% e 15%, dependendo do espaço ocupado.No que diz respeito a locais, há de tudo: um apartamento casas, bares, boates, praças, ruas e até teatros. Entre os Estados brasileiros, o Acre está representado com um espetáculo, Stella do Patrocínio; Goiás com outro, Puro Brasileiro; Mato Grosso com Nepal e Santa Catarina com Histórias de Amor. Minas e Rio Grande do Sul comparecem com três produções cada. Quatro vêm da Bahia e outras quatro do Distrito Federal.Por motivos óbvios - custos menores - nada menos do que 34 companhias do Paraná estão presentes. O restante da programação do Fringe fica a cargo de grupos de São Paulo e Rio, melhor estruturados não só para bancar os custos de transporte e estada, mas também a acirrada disputa pelo público. E há ainda três espetáculos vindos do exterior: Alemanha, EUA e Holanda.

Agencia Estado,

21 de março de 2001 | 20h38

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