Zhang Yimou enche os olhos com love story

Após a retomada do neo-realismo de Nenhum a menos, Zhang Yimou recupera o esteticismo de sua grande fase em O Caminho para Casa. O filme é uma produção da Columbia Asia. O diretor de Lanternas Vermelhas já foi acusado de ter-se vendido aos americanos. Exagero. A simplicidade de Nenhum a menos nunca é menos que comovente. E há rigor naquela história da garota que assume o cargo de professora numa escola e desespera-se para reencontrar o aluno que sumiu. Há outro professor em O Caminho para Casa. Depois dos seus filmes discutindo a condição da mulher na sociedade chinesa, talvez Yimou tenha iniciado outro ciclo, discutindo a educação em seu país. O tema da mulher está embutido no processo educativo de O Caminho para Casa. Um homem volta para a cidade em que nasceu, para enterrar o pai. Surge na tela, em flash-back, a história de amor do pai e da mãe do protagonista. Ela é uma garota que se apaixona pelo novo professor da escola. O processo de aproximação é lento e delicado. Envolve um pente, que passa a ser um desses objetos míticos que o cinema celebra em filmes especiais. A história de amor desenrola-se no passado. No presente, o que ocupa a cena é o funeral. A mãe quer trazer o corpo do marido para casa, para mantê-lo aquecido no rumo à eternidade, como rezam as tradições. A mãe, quando jovem, é Zhang Ziyi, a espadachim de O Tigre e o Dragão. E o filme é visualmente insuperável. Talvez seja um pouco piegas, mas nem Zhang Yimou fez algo tão bonito para encher os olhos de seu público.

Agencia Estado,

20 de agosto de 2001 | 20h43

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