Zeta-Jones vem deslumbrante no novo Zorro

Por aquela porta já entrou Antonio Banderas, que fez duas confissões ao repórter da Agência Estado, ambas ligadas ao mesmo tema - sua idade. Banderas desistiu de interpretar Ayrton Senna. "Não dá mais. Ele morreu com 35 anos, eu estou com 45. Minha mulher (Melanie Griffith) e meu agente me convenceram de que meu tempo passou para recriar a vida dele." A outra confissão refere-se ao próprio filme que levou o repórter a Los Angeles para entrevistar Banderas e Catherine Zeta-Jones. "Passaram-se sete anos desde A Máscara do Zorro (que, a propósito está sendo lançado em DVD, numa edição de luxo, repleta de extras). Estou ficando muito velho para toda essa movimentação. Nunca me cansei tanto numa filmagem", ele conta, referindo-se a A Lenda do Zorro, que estréia hoje. Se houver o Zorro 3, Banderas acredita que estará fora. "Podemos contar a história do meu filho ou a pré-história do meu personagem", diz. E, aí, Catherine Zeta-Jones entra pela mesma porta, numa suíte do Hotel Four Seasons, em Beverly Hills. Cazuza dizia que o tempo não pára. Bem, para ela parou. Há seis anos, o repórter entrevistou Catherine pela primeira vez, numa villa em Cannes, quando Armadilha passou fora de concurso no maior festival de cinema do mundo.Catherine está ainda mais bela, mais exuberante. Você é capaz de jurar que o adjetivo ´deslumbrante´ foi criado para ela. E Catherine está de excelente humor. Explica que A Lenda de Zorro foi muito gostoso de fazer. Espera que faça sucesso e dê origem a um terceiro filme. Só espera que não demore tanto. "Se tiver de esperar mais sete anos, vou terminar interpretando a mãe de minha personagem original." Abaixo, a entrevista com Catherine: Por que o segundo Zorro demorou tanto para sair? Catherine Zeta-Jones - Foi uma conjunção de vários fatores. Foi difícil achar uma história com a qual todo mundo estivesse de acordo e, como queríamos fazer os três, Martin (o diretor Martin Campbell), Antonio (Banderas) e eu, foi mais difícil ainda conciliar as agendas. Mas deu tudo certo e aqui estamos. Sua personagem é muito dinâmica no filme. Ah, sim. Não faria mais sentido criar uma heroína tradicional, a mocinha dos antigos filmes de Zorro. Estamos fazendo a Lenda para platéias do século 21, quando a mulher dispõe de outro status na sociedade. E eu gosto da movimentação física. Adorei dançar em Chicago, adorei fazer aquelas cenas do assalto em Armadilha. Aqui, pulo, me penduro em paredes, participo de duelos. Foi divertido. O segundo filme é mais político do que o primeiro. Na Máscara, o herói lutava contra a opressão. Agora, luta para que a Califórnia seja integrada aos EUA e contra um vilão que é francês e terrorista. Você não acha que A Lenda do Zorro corre o risco de ser chamado de reacionário? Mas isso é coisa de jornalista (ri). Na França, quando fomos promover o filme, queriam nos matar justamente por isso. Por que um vilão francês e terrorista? Acho tolice fazer leituras políticas de filmes como esse. É só diversão. Pelo amor de Deus, homem, divirta-se. O tempo passa, você está cada vez mais exuberante. Como vai o casamento (com Michael Douglas)? Você não gosta muito de falar sobre isso, não? Defendo a minha privacidade, mas, como Michael é uma figura pública ainda mais conhecida que eu, é difícil fugir ao assunto. Vamos bem, sim. Existe alguma coisa que a incomode no contato com a imprensa? Só não gosto muito quando dizem que, pelo meu casamento, entrei para a aristocracia de Hollywood (o marido Michael Douglas; o sogro, o grande Kirk Douglas). Sinto-me uma usurpadora. Posso garantir que continuo plebéia. Qual é seu segredo de beleza? Nada como umas boas horas de sono. Gosto muito de dormir. Se pudesse, viveria na cama. Dez horas de sono, por dia, são o meu ideal. (Para outro grupo de jornalistas, ela deu uma resposta diferente. Disse a uma jornalista - "Querida, você viu a equipe de maquiadores que me preparou para estar aqui com vocês? Com eles, não há mulher que não fique maravilhosa.") É verdade que você vai interpretar Lana Turner? Mas ela era loira... E eu vou ficar uma loira muito interessante, você vai ver. Os testes com o cabelo ficaram ótimos. A personagem é maravilhosa. Lana foi uma rainha do melodrama cuja vida foi uma tragédia. (Sua filha matou o gângster que era amante da mãe com uma facada.) É papel para Oscar? (Catherine já ganhou o de coadjuvante por Chicago.) É papel para um bom filme, espero.*O repórter viajou a convite da distribuidora Columbia

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