Zeffirelli condena anti-semitismo de "A Paixão"

A Paixão de Cristo, de Mel Gibson, é um "retorno ao obscurantismo medieval cristão anti-hebraico", na opinião do cineasta italiano Franco Zeffirelli. O diretor de Romeu e Julieta e Jesus de Nazaré disse que a violência do filme não o chocou, mas lamentou e afirmou que se sentiu ofendido pelo preconceito contra o povo judeu."Percorremos um longo percurso para nos liberar dessa herança dramática e não podemos permitir a volta aos tempos de barbárie absurda que custaram a vida de milhões de inocentes", disse. Zeffirelli, de 81 anos, acha que pode haver "kamikazes cristãos contra judeus". Ele espera que a França, como anunciado, proíba sua divulgação."Quando se toca essa matéria, é preciso estar muito atento, é uma responsabilidade. O cinema é uma arma de penetração perigosíssima e deve ser usado com cuidado porque deixa cicatrizes inapagáveis na memória e na consciência", disse Zeffirelli. Para ele, o filme de Gibson tem várias falsidades históricas, além de "uma tendência sanguinária exibida". Gibson e Zeffirelli trabalharam juntos em 1990, quando o cineasta italiano dirigiu o ator em Hamlet. Em um artigo que escreveu para um jornal italiano, Zeffirelli lembrou que, durante as filmagens, ouviu de Gibson uma descrição crua e detalhada da expressão que os animais fazem quando estão prestes a morrer. "Aprendeu matando bezerros em suas fazendas, para relaxar. Não com uma arma, mas com facões", diz o texto do cineasta. Definindo-se como rofundamente católico, o cineasta lamenta que a Igreja Católica não tenha tomado uma posição nítida contra o filme para "confirmar o que já disse há 25 anos e repetiu com o pedido de perdão de joelhos pelos erros do passado".

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