Yoji Yamada chega a SP para mostra de cinema

Ninguém poderá acusar o diretor japonês Yoji Yamada de falta de disposição. No fim da manhã desta quarta-feira, ele chega a São Paulo num vôo procedente de Tóquio. São mais de 20 horas de vôo, divididas em duas etapas - Tóquio/Los Angeles e Los Angeles/São Paulo. Às 15 horas, ele estará no CineSesc para a abertura da mostra que lhe é dedicada. Ela vai até domingo, exibindo seis filmes. Três deles serão exibidos pela TV Cultura sempre às quintas-feiras. Yamada fará a abertura oficial do evento promovido pela Fundação Japão, com apoio do Sesc e da TV Cultura. Quinta-feira, às 20 horas, também no CineSesc, participa de um debate sobre o cinema, em geral, e sua obra, em particular. Os debatedores serão a crítica Lúcia Nagib e o cineasta Carlos Reichenbach, admiradores confessos do cinema japonês.Na entrevista que deu por e-mail, há duas semanas, disse que é sempre lisonjeiro receber o elogio dos críticos. Prêmios e elogios nunca faltaram na carreira do cineasta de 69 anos. Por 18 vezes (um recorde!), ele recebeu o prêmio da Kinema Jumpo, que colocou seus filmes entre os melhores do ano no Japão. Três vezes foi selecionado também como melhor diretor. O elogio dos críticos afaga o ego, mas Yamada diz que eles não formam seu público preferencial. Yamada faz filmes para a massa de espectadores. Ele possui esse segredo cada vez mais raro - o do filme comercial de indiscutível qualidade artística.O debate de quinta ocorrerá após a exibição de É Triste Ser Homem: o Reencontro com Lily e antes de Escola 3. É franqueado ao público, que poderá permanecer na sala da Rua Augusta e assistir, de graça, ao filme seguinte. São dois filmes de série. A primeira, É Triste Ser Homem, é recorde absoluto e consta até no Guinness como a série mais longa da história do cinema. Começou nos anos 60. Yamada confirmou que é formada por 48 episódios e uma edição especial. Foram realizados ao longo de 26 anos, trazendo não apenas o mesmo diretor, mas também o mesmo ator no papel do vagabundo Tora-san - Kiyoshi Atsumi. O Reencontro com Lily é de 1975, quando o sucesso da série já havia ultrapassado as fronteiras do Japão. A outra série, Escola, é mais recente, dos anos 90. E também mais reduzida - está no quarto episódio.Nascido em Osaka, em 1931, Yamada passou a infância na China. Quando a família regressou ao Japão, após a 2.ª Guerra, ele conheceu toda a dificuldade de ser um pobre refugiado de guerra. Isso, longe de abatê-lo, ajudou a fortalecê-lo. Explicando seu estilo, Yamada diz que seu objetivo é traduzir os acontecimentos da vida em sociedade e os grandes temas da humanidade numa perspectiva pequena, que é a família. Nesse sentido, ele reconhece que é possível fazer uma ponte entre seu cinema e do mestre Yasujiro Ozu. Ambos acompanharam, ao longo do tempo, as transformações que mudaram a face da família japonesa tradicional. Yamada sente-se tão próximo de Ozu que Meus Filhos é dedicado a ele.É a história do conflito (e do entendimento) entre um velho plantador de tabaco na província e o filho caçula que mora em Tóquio. O rapaz é fonte de preocupação, senão de aborrecimento, para o pai. Terminam por aproximar-se. Yamada gosta tanto de Ozu que cenas de uma das obras-primas do grande cineasta aparece em Em Busca do Arco-Íris. Esse talvez seja o filme ideal para quem quer conhecer a súmula do diretor. É a história de um rapaz que sai de casa, em Tóquio, porque não agüenta mais a violência do pai. Vai parar na província. Arranja um emprego no único cinema da cidade. É o pretexto para que Yamada desenvolva uma conversa sobre o estilo de cinema que mais o atrai.Além do diálogo, propriamente dito, desfilam cenas de filmes. Cinema Paradiso, do italiano Giuseppe Tornatore, Une aussi Longue Absence, do francês Henri Colpi, Brinquedo Proibido, do também francês René Clement. O cinema japonês está representado por imagens de um grande clássico de Ozu - Era uma Vez em Tóquio. E também por É Triste Ser Homem, do próprio Yamada. A história do vagabundo que idealiza a figura da mulher expressa o tipo de cinema que encanta o veterano diretor - humano, popular e artístico. Não admira que ele dedique Em Busca do Arco-Íris a Kiyoshi Atsumi, o Tora-san. A morte do ator, em 1996, encerrou a série.Os Sentidos da Felicidade - Os Filmes de Yoji Yamada. Amanhã (30), às 15 horas, ´Escola´; às 18 horas, ´Meus Filhos´; às 20h30, ´Escola 2´. R$ 2,00. CineSesc. Rua Augusta, 2.075, tel. 282-0213. Até 3/9.

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